8 de janeiro de 2013 - 05:48

Situação e oposição venezuelanas acirram tensão a dois dias de posse

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, atacou a oposição venezuelana nesta terça-feira, dizendo que o líder Henrique Capriles, derrotado por Hugo Chávez na eleição presidencial de outubro, está “desesperado” para assumir a Presidência do país. Situação e oposição se enfrentam na Venezuela em torno da dúvida sobre o comparecimento de Chávez à cerimônia de posse, na quinta-feira (10), em Caracas.

Chávez está desde dezembro último hospitalizado em Havana, recuperando-se da quarta cirurgia, em um ano e meio, contra um câncer na região pélvica.

“O patife de Miranda [Estado do qual Capriles é governador] parece ter se esquecido de que eu já fui presidente graças ao golpe que ele deu em 2002; tão desesperado que está”, afirmou Cabello, via Twitter. “Falta saber se a MUD [Mesa da Unidade Democrática, o maior grupo opositor do país] o deixará ser candidato”, acrescentou.

Em 11 de abril de 2002, Chávez sofreu um golpe de Estado e foi deposto. A manobra fracassou dois dias depois, restituindo Chávez ao cargo. No meio tempo, Cabello, já como o presidente da Assembleia, chegou a ser empossado presidente interino.

Fernando Llano/Associated Press
O líder oposicionista venezuelano Henrique Capriles, envolvido na polêmica sobre a posse de Hugo Chávez
O líder oposicionista venezuelano Henrique Capriles, envolvido na polêmica sobre a posse de Hugo Chávez

Mais cedo, Capriles deu uma entrevista defendendo a tese de que, caso Chávez realmente não tome posse no dia 10, como parece provável, Cabello assuma o cargo interinamente e, em até 30 dias, chame novas eleições, como prevê a Constituição.

Nesta terça, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), principal organização da oposição venezuelana, enviou uma carta à OEA (Organização dos Estados Americanos) alertando que qualquer cenário alternativo representaria uma ruptura democrática no país.

Capriles disse que seria “uma desgraça” se Cabello governasse, mas que lhe parecia a alternativa constitucional. “Pelo histórico que tem essa pessoa [Cabello], não deveria ser presidente da Venezuela, mas isso não tem a ver com o que gosto e não gosto”, disse Capriles.

Os chavistas afirmam que a cerimônia de posse na Assembleia Nacional é um formalismo, que pode ser cumprido posteriormente ante a Suprema Corte venezuelana. Portanto, defendem que o vice-presidente, Nicolás Maduro, continue no cargo até que o atual mandatário volte de Cuba.

AMÉRICA LATINA

Em entrevista, Capriles fez também um apelo aos líderes vizinhos. “Digo para os presidentes da nossa América Latina: não se prestem a um jogo de um partido político”, disse, antes de mencionar, entre outros, a argentina Cristina Kirchner, o boliviano Evo Morales e a brasileira Dilma Rousseff.

Nesta segunda, o assessor especial da Presidência brasileira Marco Aurélio Garcia disse que o Brasil apoia a tese chavista de que a posse do próximo mandato presidencial na Venezuela pode ser adiada em até seis meses.

“Declarada a incapacidade do presidente [Chávez], o presidente da Assembleia convocará eleições. Isso está previsto na Constituição. Se no dia 10 não for declarada a incapacidade, há um espaço de 90 dias prorrogáveis por mais 90 dias”, explicou.

O governo brasileiro não prevê enviar representante ao ato de apoio a Chávez que os chavistas pretendem realizar nesta quinta, em Caracas. Mas o Uruguai, por exemplo, já aprovou o pedido da Presidência para enviar José Mujica.

SAÚDE

Segundo o último boletim médico, divulgado na noite de segunda (7), Chávez está em “situação estável” em relação à insuficiência respiratória que teve após uma infecção pulmonar.

Em cadeia de rádio e televisão, o ministro da Comunicação venezuelano, Ernesto Villegas, leu um breve comunicado oficial no qual lembrou a “infecção pulmonar sobrevinda no curso do pós-operatório” e assegurou que “o tratamento vem sendo aplicado de forma permanente e rigorosa”.

Ele disse que pretende manter informada a população venezuelana sobre o presidente, no poder desde 1999, e pediu aos venezuelanos que ignorem as mensagens da “guerra psicológica que pretendem perturbar a família venezuelana”.

O ministro não descarta que o presidente consiga voltar ao país para assumir o mandato para participar de uma celebração convocada pelos chavistas para quinta (10), que contará com a presença de presidentes de países aliados.

 

 

Folha de S. Paulo

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