21 de dezembro de 2012 - 08:53

NATAL SEM FOME, PIABAS REI, REALEZA, ETC

Conta a Bíblia Sagrada (O livro dos livros) em algumas passagens históricas, revelações verídicas, sendo muitas delas, copiadas para a dramaturgia cotidiana da realidade atual e também ligadas à história de povos, nações, religiões, etc. Mesmo que, na maioria das vezes, subjetivamente, sem a fácil percepção natural das coisas e dos simples mortais, a vontade desejosa de enaltecer o povo judeu, seus ícones, sua rica e vasta cultura, história e seus feitos ao longo do percurso da existência documental, advinda a partir da cultura Grega e da Filosofia antiga dos mesmos.

Uma dessas histórias se reporta a passagem da rainha Éster. Conta como Ester, uma jovem judia que estava entre os deportados (escrava), tornou-se a imperatriz da Pérsia, ao se casar com o imperador Assuero (geralmente identificado com Xerxes I), e seu primo e tutor Mordekai (Mordoqueu). A exceção do Império Romano, o império Persa, certamente estaria na vanguarda em se tratando de poderio militar e belicoso na história da humanidade e das civilizações. Consequentemente o monarca sucessor do rei Dario, se configuraria num dos homens mais importante da evolução da humanidade comparado aos grandes “Césares”, monarcas do maior dos impérios já existentes.

Conta à lenda que Éster foi colocada na vida do rei Assuero com um propósito divino. Lutar pela libertação do povo judeu, garantindo assim a sobrevivência dos mesmos aos muitos processos de dominação e escravização impostos ao longo dos séculos e milênios. Numa descoberta de complô contra o seu povo, arquitetado por um leal e fiel escudeiro do rei, coube a Éster a missão de através de estratégias, conseguir um meio para livrá-los do que poderia ser já naquele tempo, uma espécie de “Holocausto”, que certamente ceifaria uma boa parte do contingente de judeus daquela época.

Éster resolveu então ofertar ao rei e seu marido, banquetes, regados a muita comida, muita bebida, guloseimas, iguarias, músicas, especiarias e tudo que tivesse direito, para depois disso e, de ganhar a confiança do monarca, solicitar a ele que o suposto plano fosse cancelado, com os devidos culpados, punidos com a própria vida. Após a realização dos famosos festins, tomado pela gentileza, simpatia, beleza, sensualidade e presteza da rainha Éster, o monarca Persa, deu a ela a possibilidade de fazer um pedido, o que fosse, o que quisesse, qualquer coisa do mundo que estivesse ao alcance de um dos homens mais poderosos do planeta. Assim foi feito, ela conseguiu livrar os seus, das armadilhas e das artimanhas dos inimigos históricos do “Povo de Deus” aqui na terra.

Fugindo das escrituras sagradas e adentrando naquele ditado popular que diz mais ou menos assim: “Quer pegar alguém, utilize comida em fartura, banquetes e, certamente o pegará pela boca”.

Lembro-me muito bem dos antigos Natais, especialmente os que transcorreram nos últimos quatro anos, precisamente em Itaporanga, terra de cozinheiras boas e oportunistas experientes. Havia um monarca, que não era o rei Assuero, mas, o Brasileiro, rei do império “Caxupiranguense” herdeiro político de uma dinastia que se degustava no poder a muitos anos em Misericórdia Velha. Brasileiro acostumado a comer comidas simples, isso dito por populares, na maioria dos quais, seguidores do mesmo, tentando fazer de sua imagem a de um homem santo, simples, “Sem frescura” no dito popular atual, similar a “Sassá Mutema”, nunca havia sido tão cortejado, em se tratando de matéria de comidas, bebidas e convites para banquetes, festas além de outras maneiras de bajulá-lo.

Havia situações em que esse mesmo rei tinha de se desdobrar e correr contra o tempo, para atender aos muitos chamados e convites a ele e familiares destinados, cada um com aperitivos e situações mais atraentes do que os demais, principalmente nessa época, aproveitando os ensejos do natal e da virada do ano, para também fazer como a rainha da referida história, aproveitar a benevolência e da gratidão do homem para fazer alguns pedidos também, geralmente, pedidos de empregos e outras vantagens, nada republicano ou de causa nobre como Éster, mas, na tentativa da obesidade, da gula.

A agenda de Brasileiro nessa época do ano, pelo menos nos últimos quatro anos, foi bastante concorrida, desde o famoso churrasco promovido por uma facção dos “Modestos” – Uma espécie de Fariseus – até os jantares requintados feitos por secretários (sacerdotes), bajuladores e até mesmo a família “Buscapé” (Plebe frequentadora da corte). Cada um dentro de suas condições financeiras, necessidade de bajulação e capacidade de persuasão, utilizando cada um a seu modo e ferramentas para conseguirem do rei, em alguns casos, ainda mais vantagens. Imbuídos do mesmo propósito de agradar a monarquia inteira, tanto aos ascendentes e também os descendentes da família real.

Na tentativa de ganhar a preferência do rei, algumas famílias detentoras de algum tipo de feudo dentro do reino do monarca, duelavam para ver quem tinha a capacidade de realizar a melhor das cerimônias. Um amigo meu certa vez me disse: “hoje em dia está cada vez mais difícil até para ser babão, pois antigamente se fazia isso apenas com galinha de capoeira, no máximo uma banda de carneiro, nos dias atuais, até uísque importado e vinho do porto estão utilizando”.

Uma dessas passagens que não são bíblicas, mas, tornaram-se pública através dos frequentadores da confraria do “Beco do Fuxico”, dava conta de uma família que nas proximidades do natal e das festas de fim de ano, se deslocavam até a cidade de Patos, para comprar os ingredientes de uma ceia natalina, digna de nenhum rei Assuero colocar defeito. Tudo vindo “das Europa”. O uísque era Escocês, o bacalhau originário da Noruega, o presunto Espanhol, o vinho do Porto vinha de Portugal, a massa para o espaguete não podia ser de outro lugar se não da terra da bota. Pois bem, esse manjar dos deuses, se repetiu pelos últimos quatro anos (2008 a 2011), será que teremos a manutenção dessa tradição nesse final de ano, que por sinal, também marca o final de mandato e de reinado do monarca Brasileiro I. Torçamos que sim, não deixem a família real com água na boca.

Deixando a ceia de natal maravilhosa da família “Buscapé” de lado, a mesma oferenda, que se adquiriu através de compra parcelada em 12 vezes no cartão de crédito, ou seja, se comia no final do ano e, passava o outro todo para pagar. Entremos agora na outra ceia, a do secretario e primeiro ministro, que também não ficava atrás, da mesma forma regada a guloseimas e especiarias das índias e da Europa, com o mesmo propósito, depois de tornar farto e enfartado o monarca, pegar-lhe na palavra e conseguir mais algumas vantagens no reinado, que, na visão dos mesmos, parecia não ter mais fim, ou alguém que ousasse acabar com essa farra, toda ela, girando em torno do dinheiro público através do interesse pessoal e familiar, em detrimento dos famintos espelhados no resto do reino. Fartavam-se e embriagavam-se, enquanto os demais sofriam as dores do abandono e da fome.

Outra família, menos afortunada do que as anteriormente citadas, também se desprendiam na empreitada de realizar uma “Modesta” ceia, com mulheres, crianças e homens “Modestos”, com a mesma finalidade, de prover a família real, de sensações prazerosas do pecado capital da gula, aliadas ao deus romano “Baco” e sua etilia demasiada, para posteriormente cobrar da família do poder supremo, através de um pedido, a retribuição por aquele banquete, regado à carne de cordeiro assada, galinhas de capoeira e guinés guisados, uma ceia um pouco mais modesta, no entanto também tentadora, para realeza e sua comitiva faminta. E assim se seguiu até o dia 06/10/2012.

Nos dias atuais, fazendo um estudo histórico e retrospectivo das famílias envolvidas nesse enredo culinário, recebo com tristeza e surpresa a noticia de que esse ano, não temos ainda a confirmação do jantar de despedida desse natal, desse ano e desse mandato. Pois certamente os cartões e os limites de crédito utilizados para tal, estarão gravemente comprometidos no exercício de 2013. Será que deixarão a família real, com os dias contados, sem os aperitivos necessários para saudar o ano que nasce brevemente, com suas barrigas cheias e muitos gases metano oriundos da fermentação dessas comidas soltos no ar, sendo apreciados pelas legiões de bajuladores diminuta do pós-guerra.

Por outro lado, esse abandono à família real, por outras famílias, tem seus fatores positivos, é que nesse natal, seremos como diz a Constituição Federal e a Religião Cristã, todos iguais perante a lei e a DEUS. Brasileiro estará no mesmo nível de importância do “Galego do peixe” de Soledade, conhecido pescador de piabas rei e de camarão. Por falar nisso as piabas são uma delicia, toda vez que passo por lá, compro algumas para fazer uso durante a minha estada semanal em João Pessoa.

Sabendo das dificuldades das famílias em prover a ainda família real da tradicional ceia de natal, me proponho a fazer uma doação, mesmo sem participar, por vontade própria, compromissos inadiáveis e questões de relacionamento pessoal, proponho que ajudemos a manter a tradição, me disponho a fazer uma campanha através dos meios de comunicação, para que as famílias envolvidas nessa história realizem mais uma vez o banquete de natal e a ceia de ano novo. Mesmo sabendo que o monarca passará a partir de primeiro de Janeiro de Rei a plebeu, sua família sairá da monarquia e passará ao proletariado (trabalhadores) coisa que alguns deles estão desacostumados de fazer. Por fim, podem ficar tranquilos, doarei para a ceia de despedida da família real, um saco de piabas reis comprado ao meu amigo “Galego pescador” de Soledade. Viva a democracia, feliz natal. Viva 2013.

carlos.miguel

Carlos Miguel

Política

Natural de Itaporanga, Sertão da Paraíba, 34 anos, profissional de saúde, licenciado em LETRAS, estudante do curso de Relações Internacionais da UEPB, Campus V. Experiência em programas radiofônicos nas emissoras: Rádio Boa Nova FM, Rádio Vale FM. Correio do Vale AM. Escreveu nos jornais de circulação do Vale do Piancó: Folha do Vale e “O Semanário”. Comentarista político do programa Jornal da Cidade da Boa Nova FM.

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