17 de dezembro de 2012 - 10:46

Oposição egípcia convoca novos protestos diante de provável derrota

Os oposicionistas do Egito convocaram para esta terça-feira (18) protestos em todo o país para tentar anular o texto da nova Constituição, que voltará a ser submetido a referendo no sábado que vem (22). Na primeira fase da votação, neste sábado (15), o texto, criticado por ter sido aprovado por uma assembleia esvaziada, com maioria islâmica, foi aprovado.

Etapa necessária à aprovação da nova Constituição, o referendo aconteceu neste sábado em dez áreas do Egito, incluindo a capital, Cairo, e Alexandria, a segunda maior cidade egípcia, e prosseguirá no dia 22 nos outros 17 governos.

Segundo resultados preliminares, quase 57% dos eleitores no Cairo votaram contra a Constituição, enquanto o “sim” venceu em Alexandria.

Na segunda fase da votação, na semana que vem, é provável que o “sim” amplie a sua vantagem, já que a consulta será em localidades consideradas mais favoráveis aos islamistas, dizem analistas, indicando que a Constituição será endossada pelos eleitores. Se a Constituição for rejeitada, uma nova assembleia será formada para elaborar uma nova versão, num processo que pode levar até nove meses.

Uma vitória apertada, se confirmada, daria ao presidente egípcio, Mohamed Mursi, pouco motivo para festa, uma vez que isso evidenciaria uma ampla divisão em um país onde ele precisa construir um consenso sobre medidas duras para corrigir uma economia frágil.

O partido da Irmandade Muçulmana, que levou Mursi ao poder na eleição de junho, afirmou que 56,5% dos eleitores apoiaram a Carta. Mas os resultados oficiais só devem ser divulgados depois da próxima etapa de votação, que será realizada na semana que vem.

Não foram divulgadas informações oficiais sobre o comparecimento. Balanços não oficiais indicam que apenas um terço das 26 milhões de pessoas aptas a votar compareceu às urnas.

Uma coalizão de ONGs egípcias afirmou que o referendo foi repleto de irregularidades, “ao estilo Mubarak”, em referência ao presidente deposto do Egito que governou o país durante 30 anos, até 2011.

PROBLEMAS

Nas últimas semanas, tanto a oposição quanto o governo levaram multidões às ruas, principalmente no Cairo. Houve episódios de enfrentamento e violência, inclusive diante do palácio presidencial, na periferia do Cairo, que deixaram mortos.

Os problemas começaram quando Mursi assinou decretos que lhe atribuíram “superpoderes”, pois eximiram as decisões dele de exame judicial, e se agravaram quando ele acelerou a finalização da nova Constituição numa assembleia dominada por seus aliados islâmicos.

Mursi e seus partidários dizem que a Constituição é vital para conduzir a transição democrática. Os opositores dizem que o texto esmaga os direitos das minorias, incluindo os cristãos, 10% da população.

 

 

Folha de S. Paulo

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