5 de dezembro de 2012 - 08:43

Crise egípcia se agrava, e sedes de partido governista são incendiadas

Manifestantes contrários ao presidente do Egito, Mohamed Mursi, atearam fogo nesta quarta-feira a prédios do seu partido, o Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, nas cidades de Ismailia e de Suez. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas. Os ataques acontecem horas depois do confronto entre manifestantes pró e anti-Mursi, diante do palácio presidencial, na periferia do Cairo.

É a mais grave crise do país a deposição do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

Conforme testemunhas, grupos anti-Mursi protestavam nesta quarta pelo segundo dia consecutivo em frente ao palácio quando foram atacados por pró-Mursi, armados com paus e com pedras. Foram lançados coquetéis molotov. As forças de segurança reagiram com gás lacrimogêneo. O Ministério da Saúde diz que 126 pessoas ficaram feridas. Informações da agência Efe dão conta de que duas morreram.

No centro da capital, na praça Tahrir, centenas de oposicionistas permanecem acampados, em protesto. Nesta quarta, também o acampamento foi atacado por simpatizantes do presidente.

Três conselheiros do governo egípcio renunciaram, ainda nesta quarta.

O premiê do Egito, Hisham Kandil, pediu calma e diálogo. Ele instou os manifestantes a deixarem o entorno do palácio presidencial e “dar uma chance aos esforços feitos agora para iniciar um diálogo nacional”.

Mais cedo, o vice-presidente do Egito, Mahmud Mekki, disse nesta quarta-feira que o gabinete está disposto a concordar imediatamente com emendas à nova Constituição, desde que o texto seja referendado no próximo dia 15, conforme previsto. Pela proposta, o documento firmado por governo e oposição vigorará até o começo do ano que vem, quando será eleito o novo Parlamento, que oficializará as emendas.

O chefe da oposição, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, disse considerar Mursi “completamente responsável” pela violência. “Estamos prontos para dialogar se os decretos forem cancelados, e o referendo da Constituição for adiado”, afirmou.

HISTÓRICO

O Egito é palco de protestos diários e multitudinários favoráveis e contrários ao presidente Mohamed Mursi há duas semanas. Os problemas começaram em 22 de novembro, quando Mursi assinou decretos que lhe deram “superpoderes”, na medida em que eximem qualquer decisão sua de análise judicial. Magistrados reclamaram, e Mursi chegou a se reunir com eles, mas não alterou os textos.

Conforme o presidente, os decretos visavam apenas proteger a elaboração da nova Constituição. No último dia 30, o texto foi aprovado, porém a assembleia constituinte estava dominada por islamistas pró-Mursi. Antes, os legisladores liberais e católicos tinham deixado as suas cadeiras, sob a alegação de que a maioria islamita não os deixava trabalhar.

Entre as cláusulas que geraram incômodo estão a que preserva boa parte dos poderes que o Exército tinha na era Mubarak, como aprovar o orçamento militar sem a supervisão do Parlamento. Outro ponto controverso do esboço aprovado ontem é a inexistência de garantias explícitas dos direitos das mulheres. Entre pontos vistos como positivos está a limitação do mandato presidencial a no máximo dois períodos de quatro anos.

No começo desta semana, Mursi assinou o texto aprovado e marcou para o próximo dia 15 o referendo que é necessário para colocá-lo em vigor, gerando revolta.

 

 

Folha de S. Paulo

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