2 de dezembro de 2012 - 08:08

Assad usa ‘comitês populares’ na guerra

Noite fria e chuvosa em Jaramana, periferia pobre a sudeste de Damasco.

Homens à paisana carregando fuzis estão postados numa rua mal iluminada.

Eles param todos os carros e conferem documentos dos ocupantes. Alguns motoristas recebem ordem para abrir o porta-malas.

Mesmo sem vínculo formal com a polícia e o Exército, os homens que controlam a rua têm carta branca para questionar, prender e atirar.

São membros dos comitês populares criados pelo ditador Bashar Assad para reforçar a batalha do regime contra os rebeldes, uma luta que já dura 20 meses e deixou ao menos 40 mil mortos.

Os comitês funcionam como uma força local de moradores dispostos a sair às ruas para enfrentar grupos insurgentes que atacam bairros povoados por minorias pró-governo, como Jaramana.

Reduto cristão e druso, a área está na linha de frente do avanço insurgente predominantemente sunita que cerca a capital à espera do ataque final ao coração do regime Assad.

Integrantes dos comitês populares são treinados, armados e às vezes pagos pelo governo. Eles conhecem cada rosto e cada rua, ao contrário do Exército.

Pela proximidade com o município vizinho de Meliha, área sob forte influência rebelde, Jaramana está sob ameaça constante.

“Nosso posto de controle teve que ser recuado em cem metros depois que o pessoal de Meliha atirou contra nós há alguns dias”, disse o desempregado Abu Ala, 36, ao falar com a Folha enquanto monitorava carros na noite da última segunda-feira.

O zelo dos comitês não foi suficiente para impedir facções rebeldes ultrarradicais de infiltrar vários carros-bomba em Jaramana nos últimos meses. O atentado mais recente ocorreu na semana passada e matou 34 pessoas, entre as quais algumas crianças que iam à escola.

O chefe do comitê popular em Jaramana é Wissam B., 56, cristão que transformou sua pequena agência imobiliária em base de operações.

Sentado em seu escritório, Wissam alterna rápidas conversas por rádio e por celular. O ambiente na lojinha cheira a cigarro e narguilê.

“Queremos impedir a entrada dos terroristas e proteger nossa terra e nossa honra”, diz Wissam, cercado por seis jovens que estão sob suas ordens naquele turno.

 

 

Folha de S. Paulo

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