24 de novembro de 2012 - 09:57

Confissão faz Macarrão pegar 15 anos por sequestro e morte de Eliza

CONTAGEM (MG) – O ex-braço direito do goleiro Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, de 27 anos, foi condenado ontem a 15 anos de prisão pela morte e pelo sequestro de Eliza Samudio, ex-amante do atleta. Já a ex-namorada Fernanda de Castro foi condenada a 5 anos por sequestro e cárcere privado. A juíza Marixa Fabiane Lopes, em sua sentença, destacou que não há dúvidas do crime, que apresenta “detalhes sórdidos, de impiedade e de perversidade”. No entanto, ela levou em consideração a confissão em plenário de Macarrão. Por isso, aplicou a pena mínima para homicídio qualificado, de 12 anos, acrescida de 3 anos pelo sequestro.

A mãe de Eliza, Sonia Samudio, ajoelhou-se na frente do plenário no momento em que a juíza anunciou a pena. E se disse “aliviada”. Já o promotor afirmou estar “feliz” com a sentença, mas ressaltou que não houve vitória, uma vez que uma pessoa (Eliza) está morta. O advogado Lúcio Adolfo, que representa o goleiro Bruno, estuda pedir a suspensão da juíza “por tudo o que ela fez no processo”. Os réus ainda podem recorrer da sentença.

Macarrão está preso há 2 anos, 4 meses e 17 dias. Pela sentença de ontem, terá de cumprir até 12 anos em reclusão. Já Fernanda ficará em liberdade. A juíza destacou que a ré é primária e tem bons antecedentes.

À tarde, durante a sustentação oral e os debates, o advogado Leonardo Diniz já pedia uma “condenação justa” para Macarrão. E destacava que ele apenas cumpria ordens de Bruno, de quem era amigo desde a adolescência e a quem, de acordo com o advogado, “idolatrava” por ter alcançado o sonho de infância de ambos, que era se tornar jogador de futebol. “Que seja aplicada uma reprimenda. Mas que essa reprimenda seja justa, de acordo com sua participação (no homicídio)”, afirmou Diniz. “E que seja absolvido do crime de ocultação de cadáver, porque não pode responder pelo corpo dela.”

O júri, formado por seis mulheres e um homem, só absolveu seu cliente pela ocultação de cadáver. Com relação ao homicídio, o próprio réu assumiu, em depoimento de mais de cinco horas no Tribunal do Júri, nesta semana, que a jovem foi morta, mas alegou que não conhece o homem a quem entregou Eliza para ser executada, a mando do goleiro, em 10 de junho de 2010. Segundo a juíza Marixa, “a confissão foi fundamental para que o conselho de sentença tivesse certeza da morte de Eliza”.

Promotoria. Depois de se manter tranquilo na maior parte dos cinco dias do julgamento, o promotor Henry Wagner Vasconcelos, encarregado da acusação, foi incisivo em sua apresentação oral. Vasconcelos classificou todos os acusados como “horda de bandidos” e chamou de “facínora” o jogador, que acusa de ter tramado o assassinato da ex-amante. O promotor afirmou que réus e testemunhas mentiram na maior parte do tempo.

Vasconcelos foi incisivo e não poupou os dois réus de ataques virulentos, criticando até mesmo a confissão feita por Macarrão, que resultou na condenação menor.

O promotor considerou “inteligentemente planejada” pela defesa do réu a admissão de culpa nesse ponto. “O Ministério Público não precisava da confissão. A verdade não veio da confissão. Pelo contrário.”

Segundo o promotor, o acusado confessou “não porque ele é bonzinho nem porque sua defesa entende que ele deveria realizar um gesto de generosidade” com a Justiça. “Justamente porque a prova é firme e não haveria como negá-la é que o réu, orientado por sua defesa, dispôs-se a confessar. E a confessar a seu modo, porque o réu floreia e oculta. Essa é a natureza de quem está com a corda no pescoço”, ressaltou Vasconcelos. “Ele não foi mero cumpridor de tarefas. É um dos coarticuladores do crime.”

Novo julgamento. Após uma série de manobras de advogados, houve o desmembramento do processo em relação a Bruno, ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (suposto executor), e à ex-mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo. Foram julgados no Fórum de Contagem só o ex-braço direito do jogador e a ex-namorada. Bruno e os demais só serão julgados a partir de 4 de março, ao lado de Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, e Elenílson Vítor da Silva, também acusados do sequestro e cárcere privado da criança de Eliza.

 

Estadão

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