17 de novembro de 2012 - 09:15

O Lugar da Educação

Vem sendo ampliado o apoio e a defesa na sociedade brasileira por uma educação pública de qualidade. Essa bandeira de luta, hoje, transcende os muros das escolas e as reivindicações dos professores. Consolida-se como uma aspiração de amplos setores e camadas da po­pulação.

Em entrevista recente à Folha Online, o ex-craque de futebol, Raí, afirma que “a educação é a base de tudo. Os grandes problemas do Bra­sil, passando por corrupção, por qualidade de mão de obra, tudo isso pode ser amenizado com a melhoria da qualidade da educação”. E ainda diz com muita lucidez, que a educação tem que ser prioridade máxima, detalhando que as diretrizes dessa prioridade podem ser estabelecidas assim: “acho que mais investimento, destinar uma porcentagem maior do orçamento à educação, ter uma fiscalização dos gastos e, principal­mente, investir na formação dos professores e valorizar a profissão do educador: pagando um pouco melhor, dando tempo para que ele se forme, para que possa melhorar e formar melhor os seus alunos”.

Foi lançado no dia 6 de setembro de 2006,em São Paulo, o Compromisso Todos Pela Educação, criado a partir de uma inédita aliança entre lide­ranças da sociedade civil, empresas, MEC, CONSED, UNDIME.

O movimento apregoa duas crenças: a primeira é a de que o país só poderá ser considerado independente se suas crianças e jovens tiverem um ensino público de qualidade; a segunda se escora na ideia de que o ensino só vai melhorar quando pais, educadores, líderes comunitários, conselhos, promotores públicos, fizerem garantir a avaliação da quali­dade da escola.

Este movimento ou este compromisso tem um comitê técnico for­mado por importantes pensadores da educação brasileira e é coordena­do por Viviane Senna. São cinco as metas a serem cumpridas até 2022: 1) 98% das crianças e jovens de4 a17 anos deverão estar na escola. Hoje, 97% de brasileiros entre 7 e 14 anos estão na escola. Entre 4 e 17 anos, são apenas 88%. 2) Toda criança de 8 anos saberá ler e escrever. 3) Pelo menos 60% dos alunos deverão aprender o que é apropriado para a sua série. Segundo o SAEB, hoje, apenas 25% dos alunos atingem esse nívelem Língua Portuguesa, e 10% em Matemática. 4) 80% dos jovens deverão ter completado o ensino fundamental até os 16 anos, 70% o en­sino médio até os 19 anos. 5) Financiamento: avançar dos atuais 3,5% do PIB para 5%.

Este movimento obteve poucos resultados práticos, talvez, o mais efetivo, o fato de provocar alguns debates e reflexões sobre a qualidade de ensino. Outro fato é que a luta dos educadores e de entidades organizadas avançou a pauta em relação ao financiamento, agora a luta é para assegurar 10% do PIB para investimento em educação.

pedro.lucio

Pedro Lúcio

Coluna

Foi dirigente sindical e Secretário de Educação de Campina Grande. É Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências e professor da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB.

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