13 de novembro de 2012 - 03:06

Grécia levanta € 4 bi em leilão e reduz chances de calote

LONDRES – A Grécia levantou hoje 4,063 bilhões de euros de um total de 5 bilhões de euros que terá de pagar nesta sexta-feira, 16, e anunciou que fará uma nova rodada de oferta nesta quinta-feira para captar os recursos que faltam para evitar um calote em meio à incerteza sobre a liberação da próxima parcela da ajuda externa ao país pelos membros da Troica (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

O vencimento dos títulos de três meses emitidos em agosto com prazo até 16 de novembro ainda não está resolvido, mas as autoridades europeias reunidas em Bruxelas vêm alertando desde ontem que o país tem condições de evitar um default.

O volume de títulos vendido hoje é superior ao pretendido inicialmente. De acordo com as regras de gestão da dívida da Grécia, o país permite que os bancos comprem, dois dias após a realização do leilão, 30% adicionais ao montante total oferecido no leilão original. Isso elevaria o total já emitido hoje aos 5 bilhões de euros necessários para honrar o vencimento do fim desta semana.

Embora o Banco Central Europeu não aceite mais dívida grega como colateral para financiamentos aos bancos, o BCE permitiu uma linha especial para os bancos gregos usarem títulos como garantia em operações com o banco central da Grécia. Essas operações têm juros maiores, mas permitem que o BC grego levante os recursos necessários usando essas garantias junto ao programa de Assistência de Liquidez Emergencial do BCE, uma linha criada pelo BC europeu justamente para ajudar países com graves dificuldades de financiamento.

Porém, a divergência entre os credores oficiais da Grécia sobre como estancar o crescimento da dívida do país soma-se à relutância do BCE em fornecer recursos adicionais aos bancos gregos. O governo grego, por sua vez, vem cada vez mais dependendo da demanda dos bancos locais para se financiar no mercado no curto prazo. Desde que o país recebeu resgate financeiro da UE/FMI, apenas os bancos gregos têm garantido a demanda pelos títulos de curto prazo da Grécia.

Como os títulos emitidos hoje têm prazo de um mês, a incerteza sobre o refinanciamento do governo grego aumenta na mesma medida em que encolhe o prazo dos títulos colocados no mercado.

Ao mesmo tempo, há sinais de que a disposição do BCE para criar medidas especiais que permitam que a Grécia continue se refinanciando vem diminuindo. Na semana passada, o BCE evitou estender um aumento temporário de 3,5 bilhões no montante que os bancos podem tomar junto ao BC grego usando títulos de curto prazo do governo como colaterais, segundo uma fonte.

“O leilão parecer ter sido bom porque resolve o problema imediato”, disse Lyn Graham-Taylor, estrategista de renda fixa do Rabobank International. “Mas o foco vai se mover rapidamente para as divergências entre a União Europeia e o FMI sobre a sustentabilidade da dívida grega”, ressalva.

 

 

Estadão com Dow Jones

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