9 de novembro de 2012 - 08:21

DJACI, ROBIN HOOD E AMAZAN

O poeta do povo Amazan em uma de suas músicas de sucesso nos contempla com uma sátira que ilustrará o enredo abordado no artigo em epígrafe. Abaixo segue trecho da música “O ricão do cabaré” e nos trará inspiração para dissertar acerca do tema.

Raimundo de Chico Inácio um homem de muitas ciladas, pregava peças e pegava apostas, sempre usando da esperteza para enganar aos otários e “abestados” como dizia Tiririca. Socorro de Margarida, natural de Conceição, era uma moça bonita que trabalhava no bar e boate do Serrotão, em Campina Grande, fazendo programas. Ao chegar ao ambiente, Raimundo no meio de 15 mulheres, chamou logo pelo nome de Socorro, levando-a para o quarto. Após horas lá dentro, finalmente saiu e perguntou quanto lhe devo? A moça disse cinquentinha. Nesse mesmo instante Raimundo enfiou a mão no bolso e disse tome 300 Reais. A moça ficou surpresa e meio desconfiada, mas terminou aceitando. Raimundo disse se produza toda minha cabritinha amanhã eu volto de novo.

No dia seguinte e no mesmo horário o cabaré estava em festa, até tapetes vermelho estenderam, à espera do pseudo ricão. Quando adentrou ao ambiente foi logo chamando por Socorro levando-a novamente ao ninho de amor. Ao terminar foi perguntando quanto lhe devo? Ela disse: dê-me uma garoupa. Ele colocou a mão no bolso e disse tome 300 Reais, a pobre pulou de alegria. O cabra disse se perfume toda, amanhã chego cedo.

No outro dia na mesma hora vem ele chegando, a pega pelo braço, mais uma vez dirigindo-se ao quarto. Após os momentos de amor perguntou quanto lhe devo? 200 Reais, sinalizou a donzela. Ele pegou do bolso 400 Reais e deu a mulher. Ela desconfiada e encucada com aqueles cachês sempre gordos, disse ao cavalheiro: “Perai, agora vai me dizer, por que sempre paga acima do preço normal, o que eu tenho que te agrada tanto perguntou ela”. Ele foi logo dizendo: “É que sua mãe Margarida lá da Maria Soares, em Conceição, vendeu umas galinhas, uns ovos e umas vaquinhas e pediu pra eu lhe procurar, pagou a minha passagem e com muita coragem mandou Mil Reais pra te entregar.”

Resumo da ópera: Raimundo aproveitou-se da ocasião para se dá bem, utilizando aquilo que já pertencia a pobre meretriz (Mil Reais enviados por sua mãe do interior).

Advertência: toda e qualquer semelhança com situações do cotidiano, não são apenas mera coincidência, mas, a verdade dos fatos por essas bandas de cá.

Disse JESUS: “Dai a DEUS o que é de DEUS, a César o que é de César” e com o meu grifo, com toda petulância e respeito ao mesmo tempo, parafraseando a literatura existente, complemento o pensamento do Messias dizendo: “E dai ao povo o que é do povo”.

O próprio Cristo ensinava da existência de coisas que devem ser creditadas ao DEUS criador, outras aos Césares (personificação dos representantes do estado constituído, exercendo cargos públicos: prefeitos, governadores, agentes políticos de qualquer natureza, etc.), outras, entretanto, a ninguém, ou por ocasião de destinação legal e constitucional endereçadas aos próprios destinatários, por intermédio de dispositivo formal da lei. Na sua onisciência DEUS, eterno e onipotente, também concorda com essa afirmação, tanto é assim que instituiu o livre arbítrio, instrumento esse, capaz de dotar os homens da capacidade de fazer julgamentos e fazer suas escolhas.

Aqui na vila Caxupiranguense, província de Misericórdia, existe um politico que parece não ter evoluído ou não entendido o teor das escrituras sagradas, limitando suas ações em práticas datadas da Idade das Trevas. Djaci Brasileiro, o último representante de uma oligarquia Medieval, utilizando-se dos métodos carcomidos e retrógrados que marcaram essa época, tentou sem sucesso submeter o povo ao desconhecimento total, usando das estratégias de Raimundo de Chico Inácio para ao final de tudo colher vantagens daquilo que estava estrategicamente delineado para alcançar os seus objetivos.

A Idade Média, período escuro do conhecimento humano, tentava alienar as pessoas utilizando-se de ciências do ocultismo, curandeirismo e uma religião voltada ao equívoco. Buscava atribuir ao divino ou ao satânico, situações que nem sequer se relacionavam. Atribuía-se a saúde, a riqueza e a prosperidade ao divino (DEUS), a pobreza, a deficiência física e a doença ao demônio. Pois bem, nos tempos atuais, Djaci empregava uma metodologia parecida. Fazendo uso de uma estrutura estatal pertencente ao povo, nosso alcaide de plantão (Até 31/12/2012) tentava passar a população o dogma da contemplação ao seu ser, devoção plena a sua orientação, fervor extremo a seu favor e seus ensinamentos, capaz até mesmo de coloca-lo num patamar de igualdade a grandes nomes da igreja Católica como: Frei Damião e Padre Cicero. Com todo respeito aos homens serviçais do senhor, Djaci não passava de um “Doutor Chapatin” extremamente atrasado.

Com a promessa de “Vida eterna” e o “Reino dos céus” aos que lhe seguissem irrestritamente, Brasileiro prometia aos seus seguidores e bajuladores a Glória da salvação completa e, aos que não devotavam preces, orações e seguiam a sua palavra e ensinamentos políticos: O clamor e o fogo das profundezas do inferno. Portanto o que nosso prefeito com os dias contados queria era que não houvesse outro intermediário entre as pessoas e a resolução dos seus problemas de saúde, nem outro santo, nem o SUS, nem a constituição, nem nada. A cura se daria única e exclusivamente pela sua intercessão. Foi assim por quatro anos, infelizmente. Era um representante de DEUS na terra.

Djaci com uma estratégia que ia de encontro às determinações legais, usurpou-se de toda estrutura de saúde de nossa terra, levando-a para o quarto da sua casa, contaminado por uma nuvem nicotinada pairando no ar, onde não havia remédios e nem cirurgias disponíveis, mas, em suas mãos uma caneta e sob a mesa um talão de receitas mágico, que era aceito de postos de gasolina a supermercados. “Mastercard, aceito em todos os estabelecimentos”, utilizando-me dessa propaganda para ilustrar a força das letras do doutor. Não imaginava ele que o próprio povo que o procurava estava consciente que aquilo tudo pertencia aos mesmos, inclusive o “talão mágico”, e a própria caneta adquiridos com recursos públicos, dos mesmos que o buscavam nas aflições.

Nas florestas de Sherwood na Inglaterra vivia um fora da lei chamado Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, nos tempos do Rei Ricardo Coração de Leão. Já naqueles tempos existiam tiranos e aproveitadores dos recursos do povo. Revoltado com as taxas exorbitantes e abusivas cobradas em forma de impostos pelo monarca cruel, Robin resolvera se indignar e interceptar carregamentos de mantimentos, especiarias e de impostos coletados pertencentes à coroa e, saqueá-los, imediatamente os devolvendo a quem de direito pertencia.

O herói dos “Estúdios Disney” teve de lançar mão de instrumentos que ao longo da história colocaram em xeque sua reputação, justificável por demais, visto que, naqueles anos não havia leis que obrigassem os gestores (monarcas, reis e imperadores) a devolver os valores recolhidos em forma de impostos ao povo, em melhorias e prestação de serviços públicos acessíveis a todos os mortais, inclusive os de saúde, educação, etc. Portanto até Robin Hood sabia que aquilo tudo pertencia ao povo, cerca de 400 anos atrás, porque Djaci e seus seguidores idólatras teimavam em não aceitar nos tempos atuais? Resta-nos apenas acreditar que sabiam, utilizavam-se apenas da maldade oportunista, devaneia por natureza e aproveitadora para satanizar, demonizar e discriminar o pobre povo. Escolhendo aqueles que seriam contemplados com a “Salvação eterna”, condenando outros mais aos horríveis flagelos da não subserviência e desobediência aos princípios que não eram republicanos, nem tão pouco cristãos, mas constavam da cartilha e do manual operacional do grupo politico do qual faz parte, os que estão se despedindo.

Ia me esquecendo. Jesus fez pelo povo pela glória do DEUS pai todo poderoso, César pela glória de Roma, Robin Hood pela glória do próprio povo, Amazan pela cultura popular. Djaci fez pela glória do seu ego pessoal atendendo à pedidos, por sobrevivência e pela manutenção do poder. Deu ao povo o que já pertencia ao povo, recebeu remuneração para isso, e ainda por cima queria a confiança do voto dos mesmos. Ai já “é demais”.

carlos.miguel

Carlos Miguel

Política

Natural de Itaporanga, Sertão da Paraíba, 34 anos, profissional de saúde, licenciado em LETRAS, estudante do curso de Relações Internacionais da UEPB, Campus V. Experiência em programas radiofônicos nas emissoras: Rádio Boa Nova FM, Rádio Vale FM. Correio do Vale AM. Escreveu nos jornais de circulação do Vale do Piancó: Folha do Vale e “O Semanário”. Comentarista político do programa Jornal da Cidade da Boa Nova FM.

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