30 de agosto de 2012 - 10:05

EUA: Cada vez mais brancos, republicanos enfrentam abacaxi demográfico

O eleitor típico do Partido Republicano é cada vez mais branco, cada vez mais velho e, na maioria das vezes, do sexo masculino. Já o povo americano vai na direção contrária.

Em julho, pela primeira vez, o Censo apontou que, nos 12 meses anteriores, a maioria dos bebês nascidos em solo americano (50,5%) era de hispânicos, negros ou asiáticos.

Ou seja: os brancos caminham para se transformar em minoria e o partido republicano precisa fazer alguma coisa, e rápido, para ampliar seu público alvo.

Em estudo no ano passado, o pesquisador Ruy Teixeira, do esquerdista Center for American Progress, adverte que as mudanças demográficas do eleitorado americano são preocupantes para os republicanos : “O aumento na porcentagem de pessoas não brancas, mulheres com alto grau de instrução e solteiras, eleitores nascidos após 1980 e não religiosos favorece claramente os democratas e aumentou a força do partido em eleições dos últimos anos”.

Os republicanos enfrentam dificuldades com o eleitorado hispânico, negro, feminino e jovem, que tradicionalmente vota nos democratas.

As gafes recentes sobre “estupro legítimo” e a plataforma do partido pregando a “autodeportação” de imigrantes dificilmente vão ajudar a conquistar essas minorias –que serão maioria em breve.

É aí que entram figuras como Mia Love, símbolo do abacaxi demográfico que o Partido Republicano tem pela frente. Prefeita de Saratoga Springs e candidata a deputada pelo Estado de Utah, Mia é negra, mulher, conservadora e jovem, tem 37 anos.

Para completar, é mórmon, a mesma religião de Mitt Romney. E o mormonismo tem suas dívidas a acertar com os negros. Os mórmons têm um histórico incômodo de racismo –até 1978, membros negros da igreja eram impedidos de exercer cargos mais altos.

Outro trunfo é o ex-deputado Artur Davis. Davis é negro, do estado sulista do Alabama e –a cereja do bolo– – um democrata que virou casaca. Antes entusiasmado defensor de Barack Obama, Davis se filiou ao Partido Republicano e se transformou em um dos maiores críticos do presidente.

Resta saber se recrutar alguns representantes de minorias vai convencer negros, mulheres e hispânicos a abraçar a plataforma de Estado mínimo dos republicanos.

Pode não ser suficiente. Mas o desemprego talvez seja argumento convincente.

 

 

Folha de S. Paulo

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