23 de agosto de 2012 - 05:56

Reprovação X Aprovação X Aprendizagem

A compreensão existente sobre a relação entre reprovação e apren­dizagem ou aprovação e aprendizagem é equivocada. Acreditam al­guns educadores que se o aluno não aprendeu o que eles consideram indispensável, então é preciso reprovar para que  aprendam e só depois possam passar de ano. O aluno vai aprender porque foi reprovado. Se fosse assim, bastava reprovar todos e estaria garantida a aprendizagem. Menos verdade ainda é o fato de que os alunos aprovados aprenderam. Como se explica, por exemplo, que um aluno reprovado em Ciências em um ano letivo, no ano seguinte passe em Ciências e fique reprovado em Português? A mesma escola que concede o atestado de competência em determinado final de ano, no ano seguinte revoga o atestado (da aprendizagem que o aluno demonstrou ter adquirido no ano anterior). A escola e o professor nem percebem que estão adotando tal procedi­mento. Isto é, o aluno recebeu o “salvo-conduto”em Língua Portugue­sa e teve revogado o “salvo-conduto” em Ciências, no ano seguinte, a escola inverte a situação (em relação ao mesmo aluno e aos mesmos conteúdos avaliados), revoga o “salvo-conduto” oferecidoem Língua Portuguesae devolve o “salvo-conduto”em Ciências. Talprocedimen­to do professor e da escola não pode ser considerado inteligente.

Aprovação e reprovação parecem ter uma relação distante da aprendizagem escolar. As avaliações que os professores realizam na escola têm muito mais uma função burocrática e formal do que uma avaliação para verificação da aprendizagem. Avalia-se muito mais com a função de aprovar ou reprovar o aluno do que com o objetivo de con­tribuir para aumentar a aprendizagem.

Há coisas simples que alguns professores não percebem no campo da aprendizagem. O aluno que tem medo de errar não aprende o quan­to deve. A homogeneização da avaliação da aprendizagem não é uma posição acertada/correta/eficiente. A escola trata muitos e diversos como se fosse um. Querer que todos os alunos façam a mesma avalia­ção, a mesma coisa, isso não é equidade. Alguns professores ainda não descobriram que é preciso atender cada aluno segundo as necessidades de cada um. Que os alunos reprovados continuam tendo as mesmas di­ficuldades, com um diferencial, agora, com a auto-estima rebaixada e com a prontidão para aprender inexistente. Ao invés da escola aprovar ou reprovar o aluno, precisa aprender a promover e desafiar.

Reprovar é uma das maiores violências que a escola de educação básica pode cometer. A reprovação é uma forma de exclusão da criança e do adolescente da escola, é uma maneira de desestimular a aprendi­zagem, é um modo de dizer que o aluno é incapaz de aprender, é uma atitude simbólica de violência.

 

pedro.lucio

Pedro Lúcio

Coluna

Foi dirigente sindical e Secretário de Educação de Campina Grande. É Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências e professor da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB.

Outras Notícias

Últimas Notícias

© Copyright 2012 Portal Pedra Bonita - Email: contato@portalpedrabonita.com.br