21 de agosto de 2012 - 04:33

Este ano de 100 anos

Nélson Rodrigues, Luiz Gonzaga, Jorge Amado e alguma coisa de Augusto dos Anjos.

Estes quatro são os mais lembrados, em 2012, pela comemoração de seus centenários. Na verdade, nosso Augusto dos Anjos é o menos comemorado dos aqui citados. O que é uma pena, porque esse não é o aniversário do homem, da pessoa física, é o aniversário de uma obra revolucionária da poesia brasileira, o seu livro de poemas intitulado EU.

Mas o centenário do EU, a grosso modo, parece que está restrito ao berço do poeta. Mesmo assim, em se tratando de sua terra-mãe, as comemorações ainda estão aquém do que deveria. Há quem diga que, em 2014, Augusto terá o seu verdadeiro centenário, porque foi em 14 que o grande vate morreu. Uma pena. Há quem prefira comemorar uma morte do que uma obra imortal.

Com relação a Nélson, Gonzaga e Jorge Amado, há de se convir que o Gonzagão vem roubando a cena. Pelo menos é o único cuja arte é conhecida e absorvida por todos. Sendo um artista da música, não há quem não o escute, daí a maior extensão desse centenário. Além de pertencer à área musical, a genialidade do mestre Lua é realmente digna, muita digna, das festividades que vêm sendo feitas Brasil afora.

Nélson e Jorge, artistas que cultivaram as letras brasileiras, sem dúvida estão bem servidos este ano. Nélson Rodrigues, precisamente neste mês de agosto, está sendo protagonista de uma mostra teatral no Rio de Janeiro intitulada “A Gosto de Nélson”, através da qual estão sendo encenadas as 17 peças escritas pelo autor de Vestido de Noiva. Pena que somente o Rio está desfrutando desse grande cardápio rodrigueano.

Jorge Amado vem merecendo programações na Bahia, exposição em São Paulo e, claro, o remake da novela “Grabriela” pela Rede Globo de Televisão. Mas somente um remake, algo que poderia acontecer a qualquer momento. E a Globo sabe tanto disso que nem acentua o fato. A gente sabe que é, mas vira só um detalhe.

Na verdade, todo ano é centenário de alguma coisa. Em 2012, porém, parece que coincidiu de ser o centenário de figuras importantes da nossa história. As lembranças desse ou daquele, em grau ou menor escala, são mesmo justas, mas só lamentamos o esquecimento de outros que, em 2012, também completariam 100 anos.

Amâncio Mazzaroppi, por exemplo. O grande ator, diretor e produtor do cinema caipira no Brasil, estrela de várias películas que embalaram gerações dos anos 60 a 1980. Lembraram a tragédia do Titanic, cujo naufrágio também completou 100 anos. Lembraram os 100 anos do Santos Futebol Clube. Estão esquecendo Mazzaroppi e quase não se fala de Augusto dos Anjos.

Pelo jeito, parece que 100 anos nem sempre vêm para todos.

tarcisio.pereira

Tarcísio Pereira

Cultura

Escritor, teatrólogo e jornalista paraibano. Também agente cultural e produtor artístico, vem desenvolvendo na Paraíba uma intensa atividade nas áreas de teatro, literatura e gestão cultural. Já colaborou em todos os jornais da Paraíba, sempre com temas na área de cultura, política ou cotidiano. Como escritor, publicou 21 livros, sendo 7 romances e 14 volumes com produções de textos dramatúrgicos. Recebeu vários prêmios nacionais como escritor e teatrólogo, além de indicações em concursos fora do país. Nascido em Pombal, no sertão paraibano, reside em João Pessoa desde 1980, cidade que lhe conferiu o título de Cidadão Pessoense e a Medalha Educador Darcy Ribeiro, em reconhecimento da Câmara Municipal de João Pessoa. Também é diretor teatral e ator, com atuação em teatro e filmes brasileiros.

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