21 de agosto de 2012 - 04:06

Regime sírio pede que oposição se desarme para negociar transição

O ministro da Reconciliação Nacional da Síria, Ali Haidar, pediu nesta terça-feira à oposição que se desarme para iniciar o diálogo para um governo de transição com o regime de Bashar Assad. As duas partes se enfrentam desde março de 2011, em um conflito que deixou pelo menos 15 mil mortos.

“Todos aqueles que têm uma arma em suas mãos deve entregá-la. Dessa forma, a situação voltará a seu estado natural e poderemos resolver os problemas políticos”, disse Haidar, em entrevista coletiva após encontro com o chanceler russo, Sergei Lavrov.

Ele também propôs a criação de um mecanismo para o desarmamento dos rebeldes e garantiu a contribuição do sírios que moram no exterior, convidando-os a voltar ao país para discutir a transição.

No mesmo encontro, o vice-primeiro-ministro, Kadri Dzhamil, afirmou que o regime sírio está disposto ao diálogo, mas sem condições prévias.

“Esse diálogo deve incluir dois pontos fundamentais: a renúncia ao uso da violência e o fim da ingerência externa. Se conseguimos alcançar um acordo nesses assuntos, podemos concordar com o resto”.

Dzhamil disse que está disposto a discutir “qualquer assunto”, incluindo a saída do ditador Bashar Assad. “Estamos dispostos a abordar qualquer assunto, incluindo esse. Mas a renúncia antes que se planeje o mecanismo que o povo sírio deve usar, é por acaso uma postura democrática?”.

Ele atribuiu as dificuldades das negociações ao que chamou de “ingerência estrangeira”. “O governo trabalha sob o lema da reconciliação nacional. Todas as partes devem aprender a assumir seus compromissos”.

Mais cedo, Lavrov pediu ao regime de Assad “mais passos” para a reconciliação entre as autoridades e a oposição, que se enfrentam há 17 meses. O representante de Moscou considera as medidas tomadas pelo ditador “insuficientes”.

“À vista do que vemos na Síria, os passos são insuficientes até o momento”, disse Lavrov.

Para o ministro, “é um fato” que parte importante do povo sírio não está satisfeita com sua situação, o que colocaria a reconciliação nacional como primeiro objetivo. Também demonstrou interesse pela solução do conflito em plano político, de acordo com a proposta de transição com membros do governo e da oposição.

CONFRONTOS

Nesta terça-feira, a oposição síria informou que foram encontrados 40 corpos no sótão de uma casa no povoado de Moadamiya al Sham, na periferia da capital Damasco. De acordo com ativistas, os civis foram mortos de forma sumária.

A informação foi confirmada por organizações rebeldes, sem atribuir motivo às mortes. A região é uma das que sofre com confrontos intensos entre as tropas do ditador Bashar Assad e a oposição. Na região, foram registradas as mortes de pelo menos 16 civis e 23 militares nesta terça, segundo os ativistas.

Mais cedo, os rebeldes disseram que controlam “quase dois terços” da cidade de Aleppo, na Síria, que passa por confrontos intensos e cerco de tropas do regime há um mês.

As forças do regime desmentiram a informação, dizendo que o avanço é das tropas leais ao ditador Bashar Assad. As informações não podem ser confirmadas de forma independente devido às restrições à imprensa internacional impostas pelo regime.

Desde março de 2011, mais de 15 mil sírios morreram, de acordo com a ONU. As organizações de direitos humanos elevam a estimativa para 23 mil.

 

 

Folha de S. Paulo

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