8 de agosto de 2012 - 08:07

O crack na política

Existe um tema nos debates políticos em que todos os candidatos deveriam apertar as mãos. É o tema recorrente das drogas, notadamente a questão do crack, por tratar-se de um desafio cuja solução ninguém consegue apontar.

Neste período eleitoral, para os que acompanham os debates na TV e no rádio, ainda não foi ouvida a verdadeira resposta sobre como resolver o problema do crack.

Claro. Não podemos mesmo exigir tanto. Esse milagre não se revelou ou então não saiu da cartola do mágico. Evidentemente, por tratar-se de um problema que é mundial. Por melhor que exista uma proposta, temos a triste constatação de que ninguém, seja a Presidente ou até mesmo o Papa, ainda não disse como vai erradicar esse mal.

No âmbito local, o saldo de alguns debates nos deixa notar uma verdadeira agonia sobre o que fazer e “como” fazer. E, durante os confrontos, a agonia se estabelece no instante da resposta, onde todos revelam um verdadeiro embaraço diante da questão, por mais que o assunto tenha sido estudado.

Seja qual for a cor partidária, todos conhecem o desafio e são conscientes da generalidade que apontam. E seja qual for o lado, em que pese a boa intenção, os candidatos não são diferentes daqueles que postulavam a presidência da nossa República, pois agonizavam nessa discussão da mesma forma que os psicólogos, delegados, juízes, psiquiatras, jornalistas, políticos e pensadores agonizam até hoje.

No dia em que alguém disser como vai acabar com o crack, ou pelo menos reduzir o seu expressivo consumo, essa pessoa estará destinada a receber o Prêmio Nobel da Paz. Por uma razão muito simples: em se tratando de uma questão de ampla complexidade, que envolve os mais obscuros interesses, o crack só vai ser enfrentado, efetivamente, no dia em que toda a sociedade apertar as mãos sem o receio de contrariar o vizinho. Neste caso, trocando em miúdos, um só passarinho não fará verão.

Mas acredito, ainda, que isso há de acontecer um dia. As manifestações existentes, embora tímidas, nos permitem vislumbrar um lume de otimismo no ponto mais longínquo do túnel. Por outro lado, para que esses passos sejam ensaiados, urge também a necessidade de uma sobra de pacto entre as questiúnculas políticas.

Tratando-se, enfim, de um problema que envolve a salvação da pessoa humana, creio tratar-se do único tema que, nos debates políticos, os candidatos podem até propor seus paliativos, mas têm o dever de apertar a mão dos adversários, abrir a exceção da palavra humilde e admitir, confessar, que neste campo eles não se opõem, e que vão caminhar na escuridão desse túnel com suas forças conjuntas, independente de quem vai ganhar ou perder.

Quando algum candidato responder assim, é bem provável que consiga emplacar alguns alguns pontinhos no Ibope, conquistando a simpatia do povo e alguns dividendos eleitorais.

tarcisio.pereira

Tarcísio Pereira

Cultura

Escritor, teatrólogo e jornalista paraibano. Também agente cultural e produtor artístico, vem desenvolvendo na Paraíba uma intensa atividade nas áreas de teatro, literatura e gestão cultural. Já colaborou em todos os jornais da Paraíba, sempre com temas na área de cultura, política ou cotidiano. Como escritor, publicou 21 livros, sendo 7 romances e 14 volumes com produções de textos dramatúrgicos. Recebeu vários prêmios nacionais como escritor e teatrólogo, além de indicações em concursos fora do país. Nascido em Pombal, no sertão paraibano, reside em João Pessoa desde 1980, cidade que lhe conferiu o título de Cidadão Pessoense e a Medalha Educador Darcy Ribeiro, em reconhecimento da Câmara Municipal de João Pessoa. Também é diretor teatral e ator, com atuação em teatro e filmes brasileiros.

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