8 de agosto de 2012 - 08:05

EDUCAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO

O governo da Paraíba vem apresentando sua ênfase para a educação: a alfabetização da população paraibana, que ronda os seiscentos mil, e a profissionalização da juventude paraibana, com a construção de 20 escolas técnicas, em todo o Estado. Dois objetivos extremamente importantes, como ações para um Plano de Educação.

Um primeiro olhar parece apontar que o problema maior é a construção de escolas que, com os parcos recursos, não serão construídas nunca, considerando o alto custo das mesmas, em especial, a montagem e, sobretudo, a sua manutenção. Isto, todavia, deve estar equacionado nos planos do governo, e não será a maior dificuldade. O problema maior não mora na construção de edifícios, mas no preparo humano dos futuros profissionais que assegurarão a continuidade do processo educativo profissional. Esta questão foge, totalmente, ao controle do Estado, inicialmente. O desafio central está na educação daí desenvolvida, que tem na divisão do trabalho a sua reprodução. Reforçar nas cabeças dos futuros profissionais, sejam eles nas futuras escolas técnicas estaduais, nas existentes, nas universidades, ou em qualquer ambiente de formação profissional, a divisão do trabalho existente na sociedade dominante, significa educar humanos com um disciplinamento estritamente de repetidores de tarefas, gerando a monotonia do desumano. O fazer sem acompanhar o pensar.

A formação dominante na qualificação para o trabalho, e todos/as precisam estar qualificados para o trabalho, está sendo aquela que reforça essa divisão social do trabalho. Esta faz com que se promova a cisão do trabalho intelectual (teórico) do trabalho manual (prático); a atividade intelectual e a atividade material; o produto do trabalho e a posse do mesmo; e, ainda, o prazer e o próprio trabalho estariam partilhados para indivíduos diferentes – o trabalhador e o dono do trabalho.

Esta aprendizagem escapa às orientações estatais e aparece, agora, nas mãos dos formadores desses profissionais que poderão optar por um trabalho que reforce a divisão também da riqueza entre pessoas distintas – trabalhador e patrão –, gerando a riqueza de uns e a pobreza de outros, e ainda a oposição entre o saber e o trabalho. Um reforço descomunal entre um alguém que pensa e um outro que faz; um que pensa e outro que pratica. Em síntese: uma dura e desnecessária divisão entre as atividades teóricas e as atividades práticas. Por cima, ainda se justificam, propalando que estas são coisas separadas, reforçando-se no aluno a ideia de que ele será um agente, meramente, a serviço da aprendizagem da prática, e isto basta. Ele não precisa pensar, pois outros pensarão por ele. Uma visão de que a prática e a teoria caminham distantes uma da outra. Assimilado assim, esse aprendiz se afastará da dimensão fundante do trabalho que é a dimensão cultural, isto é, a capacidade de pensar o que faz e fazer melhor o que pensa, na rede infindável da vida – a unidade teoria e prática – enfim, a práxis humana.

Pensar a profissionalização da juventude é um dever da sociedade sim, um direito de cidadania. O dever de educar (formar) o profissional para que ele não se torne uma mera ferramenta reprodutora, sem pensamento daquilo que faz, é ajudar na construção de um humano que seja apenas uma peça na engrenagem social. Sobre a repetição, máquinas há que estão fazendo melhor do que os humanos.

Educar, na perspectiva da humanização, estabelecendo a práxis humana, é superar a dimensão de bichos e máquinas, tão somente, e enunciarmos a dimensão de humanidade de cada um. Mas esta tarefa de profissionalização, após as construções escolares, é para educadores e educadoras.

ze.neto

José de Melo Neto

Educação

Doutor em Educação (UFRJ), com Pós-doutoramento em Educação, pela universidade de São Paulo (USP). Professor titular da UFPB e membro do programa de Pós-graduação em Educação/UFPB (mestrado e doutorado). Coordenador do grupo de pesquisa em extensão popular (extelar), credenciado no CNPQ. Presidente do Conselho Estadual da Educação (CEE/PB)

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