31 de julho de 2012 - 08:49

Nova aliança fragmenta ainda mais a oposição síria

Políticos exilados sírios que estão no Egito apresentaram nesta terça-feira uma nova aliança oposicionista a Assad e propuseram que seus membros formem um governo de transição na Síria. O anúncio foi tomado como um desafio ao CNS (Conselho Nacional Sírio), outro grupo oposicionista que fez a mesma proposta.

O lançamento do CSR (Conselho para a Revolução Síria) marca o mais recente esforço da dividida oposição que tenta oferecer uma alternativa política ao ditador Bashar Assad, cujas forças reprimem uma rebelião que já dura 16 meses.

France Presse
Haytham al-Maleh (centro), em anúncio do Conselho para a Revolução Síria (CRS), no Cairo, outra aliança oposicionista
Haytham al-Maleh (centro), em anúncio da aliança do Conselho para a Revolução Síria (CRS), no Cairo

“Os irmãos me pediram para formar um governo provisório na Síria e para começar a dialogar com o resto da oposição síria”, afirmou o ativista Haitham al Maleh numa entrevista coletiva no Cairo.

Maleh disse que a nova aliança servirá como uma alternativa ao CNS, que, segundo ele, “fracassou em ajudar a revolução síria”. Segundo Maleh, a nova aliança vai se empenhar para oferecer mais auxílio aos rebeldes in loco.

Há meses, governos árabes e ocidentais incentivam a oposição síria a se unir. Embora o CNS seja uma voz internacional de oposição, ativistas dentro da Síria se queixam de que a liderança no exílio tem pouco contato com o que acontece no país.

Maleh, ex-juiz e antigo dissidente, deixou o CNS em março, dizendo-se frustrado com sua ineficácia.

INTERVENÇÃO

Ele disse que não é a favor de uma intervenção militar ocidental “como uma invasão”, mas que a comunidade internacional poderia conter os ataques aéreos do governo contra centros urbanos. No ano passado, num contexto semelhante, o apoio aéreo ocidental foi crucial para permitir que rebeldes líbios derrubassem o regime de Muammar Gaddafi, na Líbia.

Nos últimos dias, os militares sírios intensificaram sua ação contra os rebeldes na cidade de Aleppo, a maior do país, numa batalha que muitos dizem que pode ser decisiva para o conflito.

“Quando Aleppo for libertada, teremos a parte norte da Síria e vamos pedir (à oposição) que volte para casa”, disse Maleh na entrevista coletiva.

A nova aliança inclui 70 personalidades do movimento oposicionista.

“O movimento inclui membros do CNS, mas sua formação se destina também a dizer que não existe um único órgão autorizado a agir em nome de toda a oposição”, disse Ahmed Jalal el Sayed, do CRS.

 

 

Folha de S. Paulo

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