31 de julho de 2012 - 09:43

Romney ‘alfineta’ palestinos e deixa líder polonês em saia justa

Com uma nova rodada de gafes que ofendeu os palestinos, Mitt Romney encerrou ontem seu primeiro tour internacional como candidato à Presidência dos EUA.

“Quando você vê o PIB per capita anual, que em Israel chega a US$ 21 mil, e compara ao PIB per capita nas áreas administradas pela Autoridade Palestina, que está mais para US$ 10 mil, percebe a diferença drástica na vitalidade econômica”, declarou o republicano em Jerusalém, antes de seguir para a Polônia.

O Produto Interno Bruto per capita israelense foi de US$ 31,2 mil (R$ 5.300/mês) em 2011, e o palestino, de US$ 2.900 em 2008 (R$ 492/mês), na estimativa mais recente da CIA, agência de inteligência dos EUA, em seu “Factbook”.

Piotr Wittman/Efe
O candidato republicano à Presidência americana, Mitt Romney (à dir.), com o ex-presidente polonês Lech Walesa
O candidato republicano à Presidência americana, Mitt Romney (à dir.), com o ex-presidente polonês Lech Walesa

Os palestinos reagiram: “É um comentário racista”, disse ontem Saeb Erekat, conselheiro do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, segundo agências internacionais.

“Ele não vê que o povo palestino não consegue atingir seu potencial por causa da ocupação israelense”, afirmou Erekat, acrescentando que os israelenses “não falam em superioridade cultural”.

Em relatório de abril deste ano, o Banco Mundial afirma que, apesar de leve melhora no cenário, medidas palestinas para avivar a economia não terão efeito sustentável sem a cooperação de Israel em reduzir as restrições, sobretudo de circulação.

A entidade diz que o PIB per capita na ANP caiu 23% de 1999 a 2006 em consequência da Segunda Intifada (conflito armado com Israel) e das sanções subsequentes.

Antes, Romney já havia descontentado os palestinos ao dizer que Jerusalém era a capital de Israel –a disputa da cidade é um ponto central das negociações de paz.

A julgar pelas doações, porém, o republicano pode considerar a viagem de seis dias ao Reino Unido, a Israel e à Polônia um sucesso. Só no evento em Jerusalém, levantou US$ 1 milhão.

Antes, ele irritara os britânicos ao criticar o despreparo local na Olimpíada. Na Polônia, deixou em apuros o líder trabalhista Lech Walesa, ao divulgar o voto de sucesso do Prêmio Nobel como apoio.

O sindicato Solidariedade afirmou divergir de seu fundador.

 

 

Folha de S. Paulo

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