25 de julho de 2012 - 09:06

A Coragem e a Cara…

Em março deste ano, o maestro e compositor Eli-Eri Moura me telefona e faz a seguinte proposta:

– Estou com a encomenda de fazer um concerto em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga. É para se apresentar em julho no Festival Virtuosi de Gravatá, Pernambuco. Você topa escrever o roteiro desse espetáculo?

Primeiro problema: ainda não havia a história. Tinha que ter a dramaturgia para um ator. E a mim, antes de escrever a peça propriamente, havia também a incumbência de criar essa narrativa. Pensei bastante e, na mesma semana, enviei para o maestro uma historinha de ficção com a seguinte sinopse:

Quando, “viajando num pau de arara”, o jovem Luiz Gonzaga deixou o sertão de Exu para ir atrás dos seus sonhos, conheceu outro jovem poeta na carga do caminhão. Tornaram-se companheiros de estrada e ambos tinham um objetivo comum: chegar ao Rio de Janeiro e conquistar a vitória artística.

Naquela viagem, o jovem Luiz Gonzaga narrou para ele muitas coisas de sua vida, fatos da família e episódios da infância. Cantou algumas de suas canções, ouviu alguns versos do companheiro e os dois se divertiram durante toda a viagem. Chegando ao Rio, eles se separaram e nunca mais voltaram a se ver.

O tempo foi passando. Enquanto Luiz Gonzaga se apresentava em programas de auditório, aquele poeta ia vivendo em pensões baratas e declamava os seus folhetos nas feiras livres. Gonzaga, por sua vez, nunca mais teve notícia do companheiro de estrada.

Anos depois, com Luiz Gonzaga já famoso, aquele poeta percebe que fracassou como artista. Entendeu as circunstâncias e jamais perdeu a sua admiração por Luiz Gonzaga. A partir dessa compreensão, ele decide fazer a viagem de volta. Ele quer chegar à praça da cidade e render sua homenagem ao filho ilustre da terra, recitando um cordel de sua autoria em que narra todos os fatos daquela viagem no pau de arara (…).

No último sábado, 21 de julho, vivenciei uma das maiores emoções como autor e diretor de teatro. Estive na cidade de Gravatá, acompanhando o maestro e sua equipe, para a apresentação desse espetáculo que, durante 40 minutos, emocionou uma plateia que superlotou a catedral da cidade e a praça principal, assistindo a tudo por um telão.

O brilho ficou por conta do trabalho realizado por Eli-Eri Moura, Marcílio Onofre, o ator Dema Camazzo e mais um coro de oito vozes acompanhado de orquestra e o som da sanfona de Lucyane Alves, acordeonista do grupo Clã Brasil.

No final, Gravatá nos aplaudiu entusiasticamente de pé, de forma quase ininterrupta. Pena que só ficou por lá, no Estado vizinho de Pernambucano. Suspeição à parte, garanto que seria uma grande oportunidade para a Paraíba assistir e também compartilhar dessas homenagens ao Rei do Baião, com esse espetáculo intitulado “A Coragem e a Cara – Memória Musical de Luiz Gonzaga”.

 

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Tarcísio Pereira

Cultura

Escritor, teatrólogo e jornalista paraibano. Também agente cultural e produtor artístico, vem desenvolvendo na Paraíba uma intensa atividade nas áreas de teatro, literatura e gestão cultural. Já colaborou em todos os jornais da Paraíba, sempre com temas na área de cultura, política ou cotidiano. Como escritor, publicou 21 livros, sendo 7 romances e 14 volumes com produções de textos dramatúrgicos. Recebeu vários prêmios nacionais como escritor e teatrólogo, além de indicações em concursos fora do país. Nascido em Pombal, no sertão paraibano, reside em João Pessoa desde 1980, cidade que lhe conferiu o título de Cidadão Pessoense e a Medalha Educador Darcy Ribeiro, em reconhecimento da Câmara Municipal de João Pessoa. Também é diretor teatral e ator, com atuação em teatro e filmes brasileiros.

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