14 de julho de 2012 - 09:19

Alfabetização como Prioridade

Há gente que se acostuma com o que não deve. Tem gestor público, tem professor que se acostumou a assistir uma criança passar o ano in­teiro na escola e não aprender. Acham isso normal. E isso além de anor­mal é imoral. Como pode o ser humano achar banal que uma criança receba o castigo de passar o ano inteiro sentada em uma cadeira tão desconfortável, como é caso das carteiras ou dos bancos escolares, sem aprender? Além do castigo do desconforto, a punição de não aprender, a poda de sua inteligência e o sequestro da sua auto-estima. Devia ser tratado no Estatuto da Criança e do Adolescente ou no Código Civil como crime praticado contra a criança para quem assim procedesse.

Cada ser humano tem expectativas na vida. Sonhos, desejos, aspi­rações. Carrego comigo um sonho possível. Sim, porque muitas vezes, se sonha só por sonhar. Carrego um sonho que não é o sonho de uma realização pessoal, ou melhor, não é o sonho de uma realização indi­vidual. É o sonho por uma escola pública diferente da que temos. Qual seria a diferença fundamental? Uma escola onde todos os professores sabem ensinar para cada criança aprender. Uma escola onde não fica uma só criança sem aprender.

Sonho em presenciar os gestores públicos da educação definindo ações voltadas para os primeiros anos de escola.  Que cada gestor de sistema de ensino público ou de escola compreenda que o processo da alfabetização é o período escolar mais importante da criança.

Uma escola onde a atenção dispensada aos educadores da alfabe­tização fosse a prioridade das prioridades da educação e a formação desse profissional fosse tratada com a relevância da profissão mais im­portante do mundo. A concretização da prioridade dada ao professor alfabetizador seria expressa em uma lei que afirmasse que o mesmo não poderia receber remuneração inferior ao professor de nenhum ou­tro nível ou modalidade de ensino.

Sonho em ver todos os alfabetizadores do meu país compreenden­do a individualidade de cada criança. Sonho em ver que o professor descobre no primeiro bimestre do ano letivo as dificuldades de cada criança e não deixa mais chegar o final do ano para intervir e ajudar a resolver as dificuldades por elas enfrentadas. Presenciar, após o final de um ano de escola, que todas as crianças do Brasil aprenderam de for­ma significativa. Que todas as crianças aprendam de maneira eficiente. Não sonho com a padronização dessas crianças, mas com a singulari­dade de cada uma sendo respeitada. Finalmente, desejo e trabalho para a concretização desses sonhos que não deveriam ser mais sonhos, mas já deviam ser realidade.

 

Autor do Artigo: Pedro Lucio Barboza

(Pedro Lucio)

 

 

 

 

 

 

 

Pedro Lucio foi dirigente sindical e Secretário de Educação de Campina Grande. É Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências e professor da UEPB.

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