13 de julho de 2012 - 09:08

Conselho dá licença para massacres na Síria, diz chefe da ONU

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, criticou os membros do Conselho de Segurança ao comentar sobre o massacre de Tremseh, na Província de Hama, na Síria, nesta sexta-feira. Para o chefe da organização, a inação da entidade dá licença para novos ataques massivos.

“Peço a todos os Estados membros que tomem ações coletivas e decisivas para deter imediata e completamente a tragédia que vive a Síria. A inação se transforma em licença para mais massacres”.

Ban Ki-moon disse que o Conselho deve enviar uma mensagem clara a todos que o regime do ditador Bashar al Assad sofrerá as consequências caso não seja garantido o plano de paz do enviado especial da ONU à Síria, Kofi Annan.

Mais cedo, o mediador da organização pediu ao Conselho que mostre ao país árabe que haverá consequências aos seus atos, um dia depois do massacre de ao menos 200 no vilarejo de Tremseh. Annan afirmou que o massacre mostra que as resoluções da ONU estão sendo ignoradas.

Em uma carta ao Conselho, Annan afirmou ainda que o uso de artilharia, tanques e helicópteros contra a população de Tremseh viola o plano de paz aceito por Assad e implementado desde abril.

“Tragicamente, nós temos agora outro lembrete triste de que as resoluções do Conselho continuam ignoradas”, diz a carta de Annan, afirmando que “é imperativo e não poderia ser mais urgente na luz dos recentes eventos” que o Conselho de Segurança insista em fazer resoluções e mande uma mensagem de que haverá consequências para o não cumprimento.

O Reino Unido apresentou esta semana mais uma proposta de resolução contra a Síria no Conselho de Segurança, na qual determinava que a violência deveria cessar em dez dias, sob pena de novas sanções econômicas.

A Rússia e a China rejeitaram o texto e disseram que usarão seu poder de veto no conselho caso seja proposto. Em alternativa, Moscou apresentou um novo rascunho, em que condena os atos violentos, pede a aplicação do plano, mas não impõe condições para o regime sírio.

VERSÕES

A oposição síria afirmou nesta quinta-feira que a vila de Tremseh foi bombardeada pelas tropas sírias e por membros da milícia “shabbiha”, uma força de segurança fiel a Assad e que se transformou em uma espécie de esquadrão da morte na repressão ao movimento da oposição.

Muitas pessoas foram mortas pelos disparos de artilharia, mas a oposição afirma que outros foram mortos pela “shabbiha” com tiros na cabeça, em estilo de execução.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede no Reino Unido, mais de cem pessoas mortas “nos bombardeios, nas operações militares e nos combates” foram identificadas, incluindo “várias dezenas de combatentes rebeldes”.

O Exército sírio admitiu nesta sexta-feira que realizou uma operação militar no vilarejo.

Um militar citado pela agência de notícias síria Sana afirmou que a operação foi de caráter “qualitativo” e tinha como alvo grupos terroristas refugiados em Tremseh. Ele admitiu que houve mortos entre os rebeldes, mas negou qualquer vítima civil. Ele não falou em número de vítimas.

Segundo a Sana, os militares encontraram corpos de civis dentro dos esconderijos dos rebeldes no vilarejo. O militar, que não foi identificado, afirmou que os civis foram sequestrados e mortos pela oposição.

As forças sírias, ainda segundo a Sana, recolheram ainda grandes quantidades de documentos, alguns deles de estrangeiros, além de equipamentos de comunicação por satélite e armas como lançadores de granadas, rifles, munições e material para fabricar bombas.

 

 

Folha S. Paulo

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