4 de julho de 2012 - 09:35

As ‘viúvas’ do êxodo rural em Itaporanga

Para alguns sertanejos do Vale do Piancó as fortes secas que atingem a região e a mecanização agrícola tem sido alguns dos motivos causadores de êxodo rural. Esses pais de família, motivados por promessas de melhoria de vida, tem procurado fora da Paraíba, nos canaviais e nas plantações de manga, uva e outras atividades agrícolas, o seu sustento e de sua família. Ir à procura de seus sonhos, em estados como Bahia e São Paulo, torna-se o caminho de muitos.

Chegando lá esses trabalhadores esperam juntar dinheiro, durante o período de permanência, para realizarem seus sonhos e guardar um pouco para garantir o período em que estiverem desempregados nas suas cidades natais, deixando assim suas famílias na expectativa de voltarem um dia financeiramente melhor. No caso dos trabalhadores que atuam nos canaviais, o período de contratações ocorre durante os quatro primeiros meses do ano, já que a colheita da cana tem início no mês de maio e só termina em dezembro.

De acordo com o agricultor e Coordenador do movimento dos trabalhadores da cidade de Itaporanga, que regularmente vão para o estado da Bahia, o senhor Valdomiro, cerca de 700 homens anualmente vão para a colheita da manga no estado. Ainda segundo o Coordenador, esses trabalhadores tem a idade entre 20 e 50 anos, e a maioria sequer terminou o ensino fundamental. Esse fluxo migratório ocorre com maior frequência no Vale do Piancó nas seguintes cidades: Piancó, Itaporanga, Conceição, Ibiara, Santana dos Garrotes, Santana de Mangueira, Aguiar e Pedra Branca.

A realidade para algumas mulheres desses trabalhadores não são fáceis. Além de cuidar dos filhos sozinhas, muitas delas ainda buscam outros trabalhos para ajudar nas despesas da casa. É o caso da senhora Valdinete Lemos, de 32 anos, que mora em Itaporanga. Segundo Valdinete, todo o período da safra de manga na Bahia seu marido passa trabalhando na colheita da fruta, deixando ela e mais dois filhos pequenos em casa. Para Valdinete além da saudade do seu esposo, outro problema é a segurança que, devido ela ficar sozinha com seus filhos em casa, podem acabar sendo alvo de assaltos e outros crimes.

Existem casos em que alguns dos maridos dessas mulheres nem voltam mais para suas famílias. Alguns morrem em consequência do trabalho, ou devido à violência urbana da cidade grande, ou ainda constituem outras famílias nessas cidades deixando a primeira no sertão. Foi o caso da dona de casa Maria Teixeira, de 42 anos, que há oito anos espera o retorno de seu marido, que deixou um filho, hoje com 15 anos. Segundo Maria, seu marido foi para o estado de São Paulo, lá constituiu outra família, e não retornou para Itaporanga. Mesmo assim dona Maria ainda espera a volta de seu marido com um perdão.

De acordo com a Secretaria de Ação Social do município de Itaporanga existem alguns projetos para minimizar o sofrimento dessas mulheres. Segundo a prefeitura, são oferecidos cursos de capacitações em várias áreas, como: corte costura, alimentação, artesanato e outros cursos de capacitação para que essas mulheres tenha uma profissão e ajudem seus esposos nas despesas de suas famílias.

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