3 de julho de 2012 - 10:45

López Obrador exige recontagem total de votos da eleição no México

O candidato da Frente de Esquerda do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu nesta terça-feira a recontagem total dos votos da eleição presidencial que deu a vitória a Enrique Peña Nieto, candidato do PRI. Mais cedo, o instituto eleitoral anunciou que pretende revisar um terço das cédulas eleitorais.

“Pelo bem da democracia, pelo bem do país, devem ser recontados todos os votos para que não sobrem dúvidas sobre o processo”, afirmou o candidato.

De acordo com o chefe de campanha do postulante, Ricardo Monreal, houve irregularidades em cerca de 113 mil mesas eleitorais das 143 mil instaladas no domingo. Em comunicado anterior, o Instituto Federal Eleitoral declarou que havia detectado problemas em cerca de 50 mil urnas.

“Não é pedir nenhum favor, é solicitar que a lei se cumpra. Vamos fazer uso do direito que temos de conformidade com a lei. Estamos atuando de maneira responsável, de acordo com a legalidade”, insistiu López Obrador.

O esquerdista afirma que a campanha de Peña Nieto gastou bilhões de pesos mexicanos na compra de votos.

López Obrador, que voltou a concorrer em 2012, ameaça novamente a impugnar a eleição se forem confirmadas as suspeitas de irregularidades nos resultados preliminares apresentados pelo IFE, que apontaram a vitória de Enrique Peña Nieto, do PRI, com sete pontos de vantagem para o esquerdista.

UM TERÇO

Mais cedo, o Instituto Federal Eleitoral revelou que deverá recontar um terço dos votos nas eleições gerais do último domingo. O processo será feito por razões estabelecidas na lei e é considerado um procedimento normal nas normas eleitorais do país norte-americano.

As razões para que ocorra uma nova apuração dos votos são diferenças menores ou iguais a um por cento entre o vencedor e o segundo colocado, erros nas atas de votação e um número de votos nulos maior que a diferença entre os dois primeiros colocados.

Dos 300 distritos eleitorais do país, 19 terão recontagem total devido a diferenças menores que 1 ponto entre o vencedor e o segundo colocado da eleição presidencial, o que representa 10 mil mesas de votação. O cálculo não está vinculado a nenhuma ameaça de impugnar o pleito.

A medida foi introduzida após as eleições de 2006, em que houve suspeitas de fraude e tentativas de impugnação do candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador para tentar rever os votos do pleito em que saiu vencedor o atual presidente Felipe Calderón com uma diferença de 0,5 ponto percentual.

LAMENTO

Nesta terça, o PRI lamentou que López Obrador não reconheça a vitória de Peña Nieto, mas ressaltaram que está no direito de esperar os resultados finais. O chefe de campanha do presidente eleito, Luis Videgaray, disse que o partido pretende recorrer caso o esquerdista peça a impugnação da votação.

“Quando fala que houve um processo desigual, que houve voto coagido, não é mais que um pretexto. Estamos prontos para defender nas instâncias legais a vitória de Peña Nieto e não temos a menor dúvida de que ganhou de forma limpa e vai ser o novo presidente”.

De acordo com o resultado preliminar, o postulante do PRI venceu com 38,14% dos votos, contra 31,64 de López Obrador. No México, não há decisão em segundo turno.

 

 

Folha S. Paulo

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