2 de julho de 2012 - 10:52

Peña Nieto será o novo presidente do México, diz órgão eleitoral

O candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), Enrique Peña Nieto, venceu a eleição presidencial realizada neste domingo (1) no México com mais de 37% dos votos, de acordo com contagem preliminar feita pela autoridade eleitoral.

O candidato do esquerdista PRD, Andrés Manuel López Obrador, obteve ao menos 30% dos votos, seguido da governista Josefina Vázquez (PAN), com ao menos 25%.

Se confirmada a vitória do PRI, voltará à Presidência o partido que governou o México por 71 anos (1929-2000) e foi chamado de “ditadura perfeita” pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa.

O descontentamento de parte da população com a perspectiva de que a sigla –uma espécie de versão mexicana do politburo soviético, com passado de fraudes eleitorais– voltasse ao poder ficou claro quando Peña Nieto votou em Atlacomulco, sua cidade natal. Dezenas de jovens contrários a sua candidatura vaiavam e gritavam.

Nascido no período pós-Revolução de 1910, o PRI tem inspiração no fascismo italiano e um discurso nacionalista e estatizante. Agora, vende-se como um partido renovado, que traz à sua frente um líder jovem e midiático.

Mario Vazquez/France Presse
Enrique Peña Nieto,candidato do Partido Revolucionário Institucional(PRI), durante votação em Atlacomulco
Enrique Peña Nieto,candidato do Partido Revolucionário Institucional(PRI), durante votação em Atlacomulco

Peña Nieto, 45, é advogado e foi governador do Estado do México. Com cara de galã, é casado com a atriz Angélica Rivera. Viúvo do primeiro casamento, tem cinco filhos.

“A ascensão de Peña Nieto e o retorno do PRI ao poder estão relacionados à decepção dos mexicanos com um projeto que não soube acabar com a desigualdade nem ofereceu solução para a questão do narcotráfico”, disse o sociólogo John Ackerman.

O atual presidente, Felipe Calderón, é responsabilizado por não ter diminuído as diferenças sociais de um país que possui o homem mais rico do mundo, Carlos Slim, e o traficante mais procurado, “Chapo” Guzmán, líder do cartel de Sinaloa.

A política de Calderón de enfrentamento bélico ao narcotráfico aumentou o enfrentamento entre os cartéis. A consequência é um saldo de mais de 50 mil mortos.

“Podemos esperar um governo ainda mais autoritário, que adotará linha-dura com o tráfico, mas que não vai tocar na questão da legalização das drogas”, diz Ackerman.

A solução apresentada por Peña Nieto é unificar as polícias estaduais e aumentar o orçamento para armá-las.

Seus opositores o acusam de ser produto de uma campanha da Televisa, maior conglomerado do México.

Também é apontado como responsável pelo Massacre de Atenco, quando ordenou a repressão de um protesto de trabalhadores, que resultou em duas mortes e no estupro de mais de 20 mulheres.

O dia de votação –que renovará também o Congresso– foi tranquilo.

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