18 de junho de 2012 - 09:05

Empréstimos inadimplentes na Espanha atingem nível mais alto em 18 anos

Os empréstimos inadimplentes dos bancos espanhóis subiram em abril para o patamar mais alto em 18 anos, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central do país, em um sinal de que mais empresas e famílias da quarta maior economia da zona do euro não conseguiram cumprir suas obrigações em meio à dupla recessão.

De acordo com o Banco Central, 8,72% dos empréstimos feitos pelos bancos, ou 152,74 bilhões de euros (US$ 193 bilhões), estavam com os pagamentos há mais de três meses atrasados em abril, ante 8,37% em março. O número representou o nível mais alto desde abril de 1994 e ficou levemente abaixo da máxima histórica atingida em fevereiro daquele ano, quando os empréstimos inadimplentes subiram para 9,15% do total.

A quantia total de empréstimos inadimplentes está agora 10 vezes mais alta que o nível reportado em 2007, quando a expansão imobiliária de uma década da Espanha atingiu seu pico, antes de começar a cair no início de 2008.

Os bancos espanhóis têm atualmente 1,75 trilhão de euros de empréstimos em suas carteiras, quase a mesma quantidade que a observada em 2007, apesar de um processo de desalavancagem longo e doloroso nos últimos anos. Isso representa cerca de 175% do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha.

Bônus

Os mercados de bônus receberam pouco conforto do vencimento apertado dos partidos pró-resgate nas eleições de domingo na Grécia e o sentimento fortemente positivo inicial foi parcialmente revertido. Com isso, o yield (retorno ao investidor) dos bônus da Espanha superou o patamar alarmante de 7% e atingiu novos recordes desde a criação do euro.

O yield dos bônus espanhóis de dez anos subiu 21 pontos-base, para 7,08%, e o yield italiano correspondente avançou 12 pontos-base, para 6,05%, segundo a provedora de dados Tradeweb. Enquanto isso, o yield dos bônus gregos com vencimento em 2023 caiu mais de um ponto porcentual, para 25,42%, mas continua sendo cotado a menos de 20% de seu valor de face.

Apesar de o resultado das eleições gregas aparentemente acabar com a ameaça imediata de uma saída desordenada da Grécia da zona do euro, os investidores rapidamente se voltaram para os problemas da Espanha e da Itália, que são considerados os próximos na linha de tiro dos mercados.

“A Grécia é muito pequena para ter um impacto sistêmico, mas a Espanha não e está difícil encontrar algo que alivie essa pressão. O mercado está tão cético que será difícil surgir algo para impulsionar o sentimento”, comentou Carl Hammer, estrategista-chefe de câmbio do banco suíço SEB. Para ele, os bônus espanhóis são um foco mais importante nesta semana do que os esforços para formar um governo na Grécia.

Além da preocupação com a Espanha, alguns participantes do mercado alertaram que o resultado das eleições na Grécia podem acabar reduzindo a pressão para que os líderes europeus encontrem uma solução definitiva para a crise de dívida. “Olhando para o futuro, o risco é o de que o resultado positivo possa inibir uma solução mais ampla na cúpula da União Europeia” no fim deste mês, afirmaram estrategistas do Commerzbank.

Seguro da dívida

O custo do seguro da dívida da Espanha contra default atingiu um novo recorde, depois de um breve rali em seguida ao resultado das eleições da Grécia, das quais o conservador Nova Democracia saiu vencedor. Segundo dados da Markit, o spread (prêmio) dos swaps de default de crédito (CDS) da Espanha subiu para 612 pontos-base, depois de ter aberta a sessão com queda de 6 pontos-base sobre o fechamento de sexta-feira, a 589 pontos-base.

 

 

Estadão com Dow Jones

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