13 de junho de 2012 - 08:51

A ditadura do politicamente correto

Na primeira vez em que alguém me apresentou a ideia e proposta do “politicamente correto” imaginei, de plano, um sentimento altruísta como o grande propulsor e pano de fundo na maquete de seu idealizador, no sentido de que o que se propunha era um mecanismo para suavizar padrões impostos e não condizentes com os novos ares e tempos da modernidade. Até aí tudo bem, mas o fato é que como em quase todos os grandes projetos e planos há os que se desviam do momento e espírito de seu artífice.

No lampejo da criação do que se convencionou chamar de politicamente correto, imagino sem dúvida, que a intenção de quem o fez era a mais cristalina possível e mais sublime em seu intento, ou seja, era a intenção e sonho de quem deseja relações humanas mais humanas, nunca munidas do recrudescimento do patrulhamento comportamental quando não aviamos um agir em sintonia com os padrões vigentes, que estão inclinados a aceitá-lo.

A eleição desse tema guarda razão de ser na exata morada em que em todos os instantes temos que adotar comportamentos e regras para não ferir o politicamente correto. Digo isto, pois quando em encontros e em papos com os amigos falamos de coisas que não são preconceituosas, no entanto não estão em consonância com o que as pessoas querem ouvir somos automaticamente censurados pelas pessoas que estão moldadas no convencionalismo do correto politicamente. Estamos num tempo em que sequer podemos brincar ou exercitar nosso lado de humor.

Ora, posso até ser o mais apaixonado por um prato típico de nossa rica culinária regional como de fato o sou, mas se faço uso em demasia de uma determinada iguaria, corro o risco de sofrer consequências, até mesmo em minha saúde e harmonia física, aliás, como tudo na vida o bom senso e a razoabilidade devem sempre se fazer presentes.

Com a filosofia do “politicamente correto” não pode nem deve ser diferente sob risco de criarmos comportamentos chatos, insensíveis e antissociais a curto e médio prazos. Sinceramente, não sou afeito às convenções do que se rotula em voz ritualística como o que deve ser feito por ser “correto” por se encontrar na moda e no modo cultural-social. Mais ainda, subscrevo Vinicius de Morais, quando dizia: “sou contra tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata”.

Nesse sentido as ações que coadunam com o verdadeiro viés do politicamente correto devem ser aprovadas. Todavia, tudo aquilo que caminha para o exagero e intolerância, chegamos ao patamar da ditadura do politicamente correto. Tal comportamento deve ser evitado a exemplo do excesso de sal, condimentos, aromas, temperos e toques de nossas vidas, de que não estão na medida certa e ajustada. Lembremo-nos do que já foi dito: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.

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Ricardo Sérvulo

Direito

Advogado, jornalista, atua na área do Direito Eleitoral e Criminal. Pós-graduado em Direito Processual Civil, professor universitário e de pós-graduação, Doutorando em Direito Eleitoral pela UMSA - Buenos Aires - Argentina.

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