1 de junho de 2012 - 02:03

Confiram o artigo de Carlos Miguel: REVOLUÇÃO X UNANIMIDADE

RevoluçãoSegundo a história designa “grande transformação, mudança sensível de qualquer natureza, seja de modo progressivo, contínuo, seja de maneira repentina”; “movimento de revolta contra um poder estabelecido (uso da força), e que visa promover mudanças profundas nas instâncias e instituições políticas, sociais, econômicas, culturais, comportamental e morais da época em que ocorre.

Esses eventos marcantes datam aproximadamente do século XV, oficialmente, mas o que dizer de Moisés, que, com um cajado na mão, jogou as dez pragas no Egito, cruzou parte do Saara, atravessou o Mar Vermelho e, liderou seu povo até os confins em busca da “Terra prometida”. Levando em consideração que o pastor e profeta de DEUS se levantou contra as regras até então impostas e estabelecidas por uma sociedade organizada e por dispositivos de normatização legal  e formal personificado por uma autoridade constituída – O Faraó -, podemos afirmar que se trata da primeira revolução até então relatada e devidamente documentada no processo evolutivo.

Na história da evolução e modernidade da raça humana, existiram várias revoluções, cada qual com sua finalidade e objetivos, algumas lograram êxito, outras no entanto não. Mas, independente dos resultados, elas ocorreram, isso é o que interessa. Alguém se indignou, essa é a marca delas.

A revolução Industrial não pode ser creditada a uma única pessoa, foi um movimento de mudanças e transformações sociais bem mais complexas, ocasionando alterações significativas na história com repercussão até os dias de hoje na vida cotidiana pós modernista.

Fazendo um relato rápido da historiografia podemos mencionar algumas correntes ideológicas que deram origem as revoluções, o “materialismo histórico de Marx” origem do Comunismo e base para o Socialismo influenciou Vladimir Lênin, líder da Revolução Bolchevique a se rebelar contra os Burgueses e a Monarquia Russa, provocando assim a mobilização social em busca de um objetivo. Lênin conseguiu influenciar o comportamento do proletariado camponês soviético na sua maioria pobres famintos e desiludidos, contra os que até então governavam: Romanov (Aristocracia) e Nicolau II (Família real).

Na França com base no ideário iluminista, a Revolução Francesa (1789) substituiu o Absolutismo e o mercantilismo pelo liberalismo político e econômico, a aristocracia pela burguesia no poder. Conquistou a liberdade de imprensa, de expressão e de cultos. Ao estabelecer a igualdade perante a lei, trocou o nascimento pela riqueza como critério de divisão social. Essa revolução também conhecida pela “Revolução dos pães”, impostos altos e diferenciação de classes sociais marcante, me desculpe os franceses, pois, na época foi isso que motivou o proletariado a ajudar Robespierre a levar Luís XVI a guilhotina, arrancando-lhe a cabeça, ocasionando a famosa “Queda da Bastilha” ou evento que marcou o fim da Monarquia francesa.

As revoluções Francesa e Industrial consolidaram o capitalismo e, com ele, produziu-se uma série de contradições. Com a transformação da riqueza, do dinheiro e da propriedade nas bases da nova sociedade, os setores populares foram excluídos. Sob as promessas de autonomia individual, foram impostas a massificação e a disciplina operária; sob os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, impôs-se a propriedade privada, o individualismo, o culto do “ter” em detrimento do “ser”. Essas contradições que provocaram greves, protestos dos trabalhadores e o surgimento de novas ideologias como o socialismo e o anarquismo no século XIX.

Até o próprio Hitler, tão contestado, figura essa que escrevera uma página negra da história humana, pode ser considerado um revolucionário. Encaminhava seu país – Alemanha – a uma revolução. Seus objetivos de promover uma segregação racial de perseguição as minorias sejam elas étnicas ou religiosas, ratificaram o mais duro capitulo da raça humana. Não discutiremos Hitler, mas, devemos reconhecer que sua revolução não obteve sucesso, no entanto, é normal considerá-lo um revolucionário, fanático, psicopático ou até mesmo louco, mas um revolucionário.

As revoluções sempre ocorreram, em todas as épocas, consagrando grandes nomes, trazendo benefícios ou malefícios, entretanto, fazendo a humanidade refletir, amadurecer e se modernizar. Os tempos atuais, nos remetem a necessidade de outra revolução, não pelas armas, nem pela força, mas contra a unanimidade irracional, perversa e medíocre imposta por figuras até então sem nenhum conhecimento do que estamos tratando aqui. Defendem o indefensável e desconhecido a eles. É preciso medir com eles pela inteligência, eis a nossa grande tarefa.

Até o grupo de Rock denominado RPM fala da necessidade desses eventos ocorrerem, nós mesmos, diariamente, convivemos com nossas revoluções internas, sempre conflitantes, na maioria das vezes contrapondo o pensamento racional ao emocional, o moral e ético contra as condutas vedadas, nos desafiando a não deixar-se levar pelo comportamento primitivo. Martin Lutero foi um desses que teve de avaliar se seguia seus próprios pensamentos ou continuava procedendo conforme as orientações do Papado (Catolicismo Romano). Resolveu fazer sua revolução particular, rompeu com a Igreja Católica e deu origem ao movimento do Protestantismo que nos tempos atuais, ajudou a dar a luz a Edir Macedo e Valdomiro que não é o Diniz, entretanto, também adora dinheiro, muito dinheiro.

Nos tempos atuais as revoluções se dão, na maioria das vezes paradoxalmente as tentativas de se contrapor ao pensamento da unanimidade, ou contra a lógica da maioria, principio este defendido e reconhecido através do movimento democrático, onde a decisão da corrente preponderante prevalece sobre a do menos prevalente. Inferior na decisão da maioria. Exemplificando: 49 é bem próximo de 50, no entanto é menor, portanto, 50 (A maioria) governa e 49 (A minoria) fica na oposição (fora das benesses), é mais ou menos assim que funciona.

No célebre voto do Ministro Gilmar Mendes no julgamento da lei complementar 135/2010 (Lei da ficha Limpa), atentou para o fato de o perigo para a democracia das ditaduras. Configura-se tão perigosa para o estado de direito tanto a ditadura da maioria, quão a da minoria. Podemos entender esse dilema, justamente estabelecendo uma comparação entre as duas.  A diferença está na legalidade da maioria. É comum no processo democrático não haver contestação de qualquer que seja a natureza, quando nos referimos a decisão popular livre e soberana vencedora em termos numéricos, é assim que funciona esse mecanismo da modalidade vigente na atualidade. Como se não coubesse a minoria, a possibilidade nem mesmo de se resignar.

Na ditadura da minoria, os riscos são os mesmos, mas, aparentemente não há legitimidade para tal, baseado no pressuposto de que essa tese é inferior numericamente, logo, não prevaleceria, a menos que seja por quebra do regime democrático pacifico e consensual ou imposição pela força de uma Revolução pelo uso das armas ou dos ideais de defesa e desregulação dessa norma, por exemplo, responsável pela subordinação, regulação e organização do modelo de estado. Uma espécie de anarquia ou sistema anárquico, semelhante ao sistema internacional.

Mas como em todas as revoluções até então citadas na história antiga e contemporânea haverá de existir sempre um revolucionário. Aquele capaz de se contrapor ao modelo até então vigente e liderar o povo aos ideais inerentes aquele momento especifico. Levando e liderando em destino esperado e objetivos comuns na dinâmica social. Portanto a revolução por si só não resolve, nem mesmo a literária, a menos problemática delas. É preciso coragem de se levantar e se opor ao pensamento unânime. É primordial um líder com cajado ou sem, nessa travessia turbulenta.

O revolucionário moderno tem de ter a capacidade e as qualidades, virtudes ou defeitos mesmo, dos antigos precursores desta mudança social. É como se precisasse combinar numa única personalidade, atributos de muitos outros. Por exemplo: A liderança e a obstinação de Moisés e seu cajado, o discurso inflamado e “Nacionalista” de Hitler, a esperteza de Lênin, os ideais de Marx, a estratégia de Robespierre, os ensinamentos de Maquiavel e a coragem de Lutero. Todas essas características devem ser aplicadas a uma liderança moderna, perspicaz e pronta a liderar a prole contra a tentativa de unanimidade perversa e degradante nos tempos atuais, tempos esses voltados a defesa da pluralidade e multiculturalidade além da multidisciplinaridade do conhecimento humano, socialização das riquezas, divisão do trabalho, etc.

Recorramos por fim aos ensinamentos do rei, que não é o Cristo Jesus, mas emprega seus conhecimentos e sua literatura de maneira subjetiva, metafórica e fazendo uso de parábolas, cabendo a nós decifrá-las, para ser transmitida posteriormente aos demais. Abaixo segue um trecho de uma de suas melodias, bem sugestiva e adequada a ser utilizada pelos novos revolucionários nos tempos modernos guiando o povo rumo a conquista e a vitória contra a tentativa de dominação pelo uso de meios escusos, corporativistas e/ou individualistas.

“A guerra dos meninos” – Roberto Carlos.

“De todos os lugares; vinham aos milhares, em pouco tempo eram milhões; invadindo ruas, campos e cidades; espalhando amor aos corações; em resposta o céu se iluminou; uma luz imensa apareceu; tocaram forte os sinos; os sons eram divinos; a paz tão esperada aconteceu, inimigos se abraçaram e juntos festejaram; bem maior é o amor e DEUS”.

E o povo haverá de seguir como na história do flautista encantador, aquele líder capaz de comover, tiver apelo e souber guiá-lo rumo à realização dos sonhos na luta pela sobrevivência.

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