21 de maio de 2012 - 06:32

Cúpula da Otan sela acordo para saída de tropas do Afeganistão

Os líderes da Otan selaram um acordo histórico na segunda-feira para passar o controle do Afeganistão às próprias forças de segurança até meados do ano que vem, colocando a aliança ocidental em uma trajetória “irreversível” para sair de uma guerra impopular que já dura mais de uma década.

A cúpula da Otan em Chicago endossou formalmente uma estratégia apoiada pelos Estados Unidos que pede a retirada gradual das tropas de combate estrangeiras até o fim de 2014, mas deixou sem respostas questões importantes sobre como evitar que o país mergulhe no caos e a ressurgência do Taliban depois que os aliados partirem.

O encontro de dois dias entre os 28 países da aliança foi um marco na guerra. O conflito foi deflagrado pelos ataques de 11 de Setembro e já dura três governos presidenciais dos EUA, seguindo mesmo depois da morte do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden.

O presidente Barack Obama e os parceiros da Otan tentaram mostrar aos eleitores que o fim da guerra do Afeganistão já pode ser vislumbrado e aos afegãos que o país não será abandonado. O conflito tem comprometido os orçamentos dos países do Ocidente, assim como a paciência.

A decisão do novo presidente da França, François Hollande, de retirar as tropas francesas até o fim de dezembro – dois anos antes do cronograma da Otan – suscitou temores de que outros aliados também pensem em apressar a saída.

“Nossas nações e o mundo têm um interesse vital no sucesso dessa missão”, disse Obama a uma sessão da cúpula sobre o Afeganistão. “Estou seguro de que podemos avançar nesse objetivo hoje e, de forma responsável, colocar um fim a essa guerra.”

Em uma declaração ao final do encontro, os líderes da aliança ratificaram os planos para que a Força Internacional de Assistência à Segurança, liderada pela Otan, entregue o comando de todas as missões de combate às forças afegãs até meados de 2013 e retire a maioria dos 130 mil soldados estrangeiros até o fim de 2014.

A declaração cunhou a medida de transição “irreversível” a uma responsabilidade plena sobre a segurança pelas tropas afegãs, e indicou que a missão da Otan em 2014 deverá passar a um papel de treinamento e assessoria. “Essa não será uma missão de combate”, diz o documento.

Permanecem as dúvidas, porém, sobre a capacidade das forças afegãs de se impor contra a insurgência do Taliban – incapazes de serem derrotadas pelas forças ocidentais em quase 11 anos de confronto.

 

 

UOL/REUTERS

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