15 de maio de 2012 - 09:50

Hollande leva a Merkel plano de novo pacto para tirar UE da crise

O novo presidente francês, François Hollande, tomou posse na manhã desta terça-feira e já se reúne nesta noite com a chanceler alemã, Angela Merkel, para discutir propostas com o objetivo de estimular o crescimento econômico na Europa, um tema que causa controvérsias entre os dois líderes.

Esse será o primeiro encontro entre Hollande e Merkel. A chanceler, que apoiou a candidatura do ex-presidente Nicolas Sarkozy, havia se recusado a se encontrar com Hollande durante a campanha presidencial francesa.

Durante a posse, Hollande disse que a França proporá aos parceiros europeus “um novo pacto que vai aliar a redução necessária de dívidas públicas com o indispensável estímulo da economia”.

“Para sair da crise a Europa precisa de projetos de solidariedade e crescimento”, acrescentou Hollande.

Após a cerimônia de posse no Palácio do Eliseu, o novo presidente francês participa de compromissos em Paris e viaja nesta tarde para Berlim, onde terá uma reunião com Merkel seguida de um jantar.

“Será uma maneira de nos conhecermos. E também para dizermos com franqueza o que pensamos sobre o futuro da Europa”, disse Hollande na segunda-feira.

“A França e a Alemanha precisam trabalhar juntas, mas não pensamos da mesma forma sobre determinados assuntos. E falaremos a respeito para encontrarmos compromissos”, afirmou Hollande.

A chanceler declarou que irá receber Hollande “de braços abertos”, mas, por trás das declarações diplomáticas, Merkel não tem dado sinais de que pretende mudar sua posição em relação à necessidade de controlar os gastos públicos na Europa para superar a crise.

A previsão é de que os dois líderes mantenham discussões em busca de posições comuns para levá-las à reunião extraordinária de líderes da União Europeia (UE) no próximo dia 23 e depois à próxima Cúpula do bloco, nos dias 28 e 29 de junho.

Medidas de estímulo

Hollande, que critica as políticas de austeridade fiscal, quer renegociar o pacto de disciplina orçamentária firmado por 25 países da UE para incluir medidas de estímulo ao crescimento.

A iniciativa de Hollande ganhou apoio de países como Itália, Bélgica e Grã-Bretanha, e também da Comissão Europeia.

A Alemanha também defende a necessidade de crescimento econômico, mas tem uma visão bem diferente sobre as medidas que deveriam ser adotadas

Merkel declarou que “não quer crescimento por meio de medidas que aumentem a dívida” e defende a realização de reformas estruturais, sobretudo a flexibilização do mercado de trabalho, para estimular o crescimento econômico.

Hollande propõe o desbloqueio de recursos não utilizados pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) e pelos chamados fundos estruturais do continente e também a criação de eurobonds para financiar projetos de infraestrutura.

O novo líder francês defende ainda ampliação do papel do Banco Central Europeu (BCE), que poderia passar a emprestar diretamente recursos para países, o que a Alemanha recusa.

“A Alemanha não pode bloquear, ao mesmo tempo, as discussões em relação aos eurobonds e ao papel do BCE”, declarou Hollande logo após sua vitória.

Em um editorial publicado na segunda-feira no jornal econômico francês Les Echos, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, diz que seu país está disposto a discutir a utilização de recursos dos fundos estruturais europeus e do BEI.

Schäuble afirma que a iniciativa para promover o crescimento econômico é “legítima” e também corresponde ao desejo da Alemanha, mas ressalta que é necessário dissipar um “mal entendido”.

“Crescimento não é, evidentemente, o estímulo artificial da demanda por meio do aumento de gastos orçamentários”, diz o ministro alemão.

Derrota

A forte derrota do partido da chanceler, o CDU, nas eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o Estado mais populoso da Alemanha, pode reforçar, indiretamente, a posição do presidente francês, escreve o jornal Le Monde.

A austeridade fiscal defendida por Merkel foi o tema central da campanha dessa eleição regional.

Mas analistas dizem que a derrota do partido de Merkel não significa que a chanceler estaria isolada.

Ela ainda continua popular, como indica uma pesquisa publicada pela revista alemã Stern. Segundo a publicação, 59% dos alemães apoiam sua política de austeridade.

“A grande maioria dos alemães acha que é preciso ser muito rigoroso em relação à dívida pública. A chanceler tem grande apoio popular nessa questão”, afirmou Nikolaus Blome, chefe de redação do jornal alemão Bild em entrevista ao canal de TV France 2.

Analistas questionam até que ponto a França poderá desafiar a Alemanha e o Banco Central Europeu, sob o risco de criar temores sobre a qualidade da dívida francesa em um momento em que a situação na zona do euro voltou a ficar instável em razão da crise política na Grécia.

 

 

UOL / BBC Brasil

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