4 de maio de 2012 - 08:45

Alta do preço do feijão no Vale do Piancó

(Produtor de Feijão / Foto: Junior Viriato)

A escassez das chuvas e de mão-de-obra são alguns dos motivos para a queda da produção do feijão no Vale do Piancó. Esses fatores fazem com que o produto fique cada vez mais caro na região e chegue à mesa do consumidor com um valor um pouco mais salgado.

Hoje na região do Vale do Piancó muitos agricultores tem se deparado com a triste realidade da não lucratividade com a produção do feijão. Primeiro a falta de chuvas na região, segundo a escassez de mão-de-obra no campo. Além disso, o baixo valor oferecido no mercado local, e os altos investimentos necessários para o plantio tem motivado os agricultores a trocarem a produção do feijão por outros produtos. Como é o caso do agriculto de Itaporanga Severino Caetano, de 46 anos, que trocou o cultivo do feijão pelo pasto para o gado.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaporanga, os agricultores que plantaram feijão para vender no ano passado não tiveram lucros e reclamaram do baixo preço do produto oferecido por parte do mercado local. Isso por que boa parte do feijão consumido na região do Vale do Piancó vem do estado da Bahia, onde lá se produz em grande escala, com melhor preço do que o praticado pelos produtores locais.

De acordo com Hernane Mangueira, Coordenador da EMATER em Itaporanga, filhos de agricultores tem deixado o campo para se aventurar na região sul do país, por melhores salários, deixando seus pais com idade avançada para trabalhar na roça. Para se ter ideia um jovem conseguia plantar o dobro de terra que seu pai planta hoje, o que ocasiona a baixa produção do feijão na região.

Ainda de acordo com a equipe da EMATER foram distribuídas 21, 416 kg de sementes de feijão para os agricultores do Vale do Piancó para este ano, mas por ocasião da seca não foi possível obter uma boa colheita.

O preço do feijão de corda, que é o mais consumido na região, teve uma alta muito grande em comparação há anos anteriores. Hoje nas feiras livres de Itaporanga, por exemplo, o valor do grão chega a ser vendido por R$ 9,90 o quilo, já a saca do feijão, com 60 Kg, é vendida por R$ 275,00.

De todo o feijão que hoje é consumido em Itaporanga 80% vem de estados de fora, principalmente da Bahia, encarecendo o seu preço final. Para o comerciante Heleno Feitosa, de 52 anos, em 30 anos de comércio em Itaporanga nunca se viu um preço tão alto do feijão como agora.

Para alguns agricultores que guardaram o grão do feijão, da colheita do ano passado, em recipientes plásticos, para não estragar o feijão, foi possível obter um bom lucro com as vendas desse ano no mercado local de Itaporanga.

(Armazenamento do feijão pelo produtor local / Foto: Junior Viriato)

 

Resta aos produtores a esperança de dias melhores, com mais chuvas e investimentos para o beneficiamento da produção local.

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