3 de maio de 2012 - 09:21

A importância do erro

A atividade humana pressupõe expor seus atores aos riscos do insucesso, desencontro e desacerto, hipóteses típicas de quem se dá a viver, verdadeiramente. Tanto na cultura oriental quanto na ocidental somos criados sob o estigma de nunca ser possível errar, pois o erro nestas óticas culturais traduz eloquente sinal de fraqueza perante a tribo que fazemos parte. Aliás, fato tolerado, remotamente, caso o aprendiz de sábio tenha feito apenas a sua reserva na academia da perfeição, jamais matriculado.

Contrariando o pensamento dos candidatos ao Olimpo, o erro é bem mais comum do que o acerto. Tomemos por exemplo o meio publicitário: antes de ser aprovada e consagrada uma grande campanha publicitária, várias ideias são montadas e depois afastadas, visto estarem impróprias,  erradas, contaminadas por bases e premissas equivocadas, para, só então, a grande obra e produto publicitário nascerem.

No próprio mundo animal é assim. Os grandes felinos antes de chegarem ao topo da eficiência como caçadores são levados ao insucesso, e até incentivados pelos seus pais a fazê-lo. Não fosse suficiente tal fato, registre-se que, a cada abate de uma presa os leões adultos tentam em média seis vezes, segundo dados dos estudiosos no assunto, os cientistas e biólogos.

É nessa mesma lógica como sugerido, que em nossasvidas errar não só é uma possibilidade, mas uma realidade, realidade inclusive, que nos torna mais úteis no plano do crescimento. É exatamente diante da fórmula (tentativa-erro-acerto), que conseguimos aportar em experimentos seguros, onde, no futuro, com os olhos e a lembrança voltados para o passado, sejamos capazes de não errar.

Noutro aspecto, com a certeza de que o erro é intrínseco à existência humana, este fator também possui o condão de orientar-nos à humildade. Sim, pois sabedores de que somos em muitas ocasiões`convidados´ a cometer erros, de igual modo devemos ser instados a imaginar que não podemos ser idólatras do egocentrismo, do infalível, do sentimento do eu como razão de ser em detrimento dos outros, ou de seus pensamentos.

A atmosfera de errar é comum e eficaz a produzir bons frutos, sigamos sempre adiante e superando os nossos medos e compromissos inarredáveis e inegociáveis com a magnitude do perfeito, distanciando nossas mentes da equivocada máxima de que o erro é inaceitável!

Fujamos, então, das elaborações e torturas promovidas pela `culpa´, sombra que teima em perseguir o nosso ser desde priscas eras, ofertando a nós seres mortais, um açoite constante, que por sua vez tem a capacidade de distanciar nossas vidas da vocação à felicidade.

É de bom tom sempre termos a convicção de que o processo de aprendizagem não só permite e tolera o erro, mas exige que se faça presente. Na verdade, errar sempre é e será uma característica humana, e como tal não pode ser tratada como um viés de incapacidade de quem a exerce. O resultado de sua ocorrência é o que deve ser valorado, pois invariavelmente construirá o acervo do êxito vindouro.

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Ricardo Sérvulo

Direito

Advogado, jornalista, atua na área do Direito Eleitoral e Criminal. Pós-graduado em Direito Processual Civil, professor universitário e de pós-graduação, Doutorando em Direito Eleitoral pela UMSA - Buenos Aires - Argentina.

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