19 de outubro de 2016 - 09:02

Brasileiro suspeito de esquartejar família se entrega na Espanha

O suspeito de ter matado e esquartejado uma família de brasileiros na Espanha se entregou voluntariamente à Guarda Civil espanhola na manhã desta quarta-feira.

François Patrick Nogueira Gouveia, 19 anos, viajou do Brasil à Espanha após um acordo entre sua defesa e a Guarda Civil, responsável pelas investigações.

Ele chegou sozinho em um voo comercial de São Paulo a Madri e foi detido assim que desceu do avião.

Patrick é suspeito de ter matado e esquartejado o tio Marcos Campos Nogueira, 41 anos, a esposa Janaína Santos Américo, 40, e os dois filhos deles, Maria Carolina, 4 anos, e David, 1 ano, na cidade de Pioz, na província espanhola de Guadalajara.

Os corpos foram encontrados no dia 17 de setembro dentro de seis sacolas plásticas – um mês após terem sido assassinados, segundo estimam os peritos. Patrick teria voltado ao Brasil dois dias após a localização dos corpos.

O brasileiro foi encaminhado ao comando da Guarda Civil de Guadalajara para ser interrogado. Uma fonte policial informou que, na sexta-feira, ele provavelmente já ficará à disposição da autoridade judicial.

O ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, comemorou a detenção do brasileiro, porque ele será julgado na Espanha.

Negociações

A entrega voluntária era a única maneira de o brasileiro se sentar no banco dos réus na Espanha, já que a Constituição do Brasil não permite a extradição de nacionais para serem presos e julgados no exterior.

De acordo com a Guarda Civil, o acusado se entregou após as negociações entre os investigadores, o advogado de defesa e a família de Patrick, que estiveram no país na semana passada.

O advogado do suspeito, Eduardo de Araújo Cavalcanti, explicou à BBC Brasil que esteve no país para conversar pessoalmente com o juiz do caso e a Promotoria.

“No Brasil, Patrick não confessa, mas expressou o desejo de voltar, pois acredita que na Espanha terá melhores condições de relatar os fatos”, ressaltou o magistrado.

Questionado sobre uma eventual confissão de Patrick à Guarda Civil, o advogado disse que seu cliente “é muito reservado”.

“Ele se apresenta para que os trâmites legais transcorram com sua presença na Espanha”, reforçou o advogado. “A família respeita a decisão dele com muita dor, porque ele volta para ser preso.”

Segundo Cavalcanti, a entrega voluntária de Patrick rechaça as suspeitas de que ele teria “fugido”.

Cavalcanti evitou avaliar se seria “melhor” para Patrick ser preso e julgado na Espanha, entretanto disse que “é evidente a diferença entre a situação carcerária entre Brasil e Espanha, mas não foi uma decisão fácil”.

‘Medo da cadeia’

Walfran Campos Nogueira, tio de Patrick, afirmou que foi uma surpresa a entrega do sobrinho. “Acho que ele teve medo da cadeia brasileira”, opinou.

Embora parte do caso continue sob segredo de Justiça, o assunto mantém a atenção da imprensa espanhola, que a cada dia divulga detalhes das investigações.

Nos últimos dias, por exemplo, os jornais noticiaram que a polícia encontrou amostras de DNA do suspeito em vários lugares e objetos da casa das vítimas e que o rastreamento do celular de Patrick o situa ali no dia do crime.

No último dia 5 de outubro, os investigadores da Guarda Civil afirmaram em entrevista coletiva que têm provas “incontestáveis” sobre a autoria da chacina.

O caso gerou comoção nacional e mobilizou a comunidade brasileira que mora na Espanha a realizar campanhas para arrecadar fundos para o traslado dos corpos a João Pessoa (PB).

O tio do suspeito disse que está finalizando trâmites burocráticos para o traslado dos quatro corpos e afirmou que espera arrecadar o valor necessário para repatriá-los na semana que vem.

O advogado de defesa afirmou que os pais de Patrick querem contribuir financeiramente para a repatriação dos corpos.

 

 

BBC Brasil

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