25 de agosto de 2015 - 07:15

Como a queda da bolsa chinesa afeta o resto do mundo

O crescimento econômico da China está desacelerando e há temores sobre as consequências da transição para um ritmo mais lento e sustentável.

Além disso, houve um boom no mercado acionário chinês, que viu o principal índice em Xangai mais do que dobrar entre junho de 2014 e o mesmo mês deste ano.

Isto se deve, em parte, à compra de ações com dinheiro emprestado. Assim, quando o mercado começou a cair, muitos investidores decidiram – ou foram obrigados a – se desfazer de investimentos para pagar suas dívidas. Isso ampliou a queda inicial.

Muitas vezes há um fator específico que pressiona para baixo as ações em determinados dias. Mas dessa vez se tratou de um fator esperado que não aconteceu. O Banco Central Chinês não tomou medidas para estimular o crédito bancário, o que foi uma decepção para investidores – que apostavam em maiores incentivos.

Como não houve estímulo novo, as ações caíram, e bruscamente.

A China é agora uma força tão grande na economia global que um desaquecimento brusco inevitavelmente afetaria o resto do mundo. É a segunda maior economia e o segundo maior importador de mercadorias e serviços comerciais.

Mas o impacto financeiro direto da queda dos preços das ações na China é moderado. Não há investimento estrangeiro suficiente no mercado chinês para que isso se torne um grande problema. A consultoria Capital Economics, de Londres, diz que estrangeiros possuem apenas 2% das ações.

A questão maior é se esse movimento expõe a desaceleração econômica da China, uma preocupação que foi reforçada pela desvalorização da moeda local, o yuan, no início deste mês.

E o Brasil?

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, que exporta, majoritariamente, commodities. Entre os principais produtos vendidos pelo Brasil estão soja e minério de ferro.

Em 2014, o comércio entre os dois países caiu para US$ 78 bilhões, ante os US$ 83 bilhões do ano anterior. Neste ano, as exportações brasileiras registraram queda de 19% entre janeiro e julho na comparação com o mesmo período de 2014.

O menor apetite chinês por matérias primas e o preço mais baixo das commodities são fatores que contribuíram para desaceleração da economia brasileira.

A queda no ritmo do crescimento chinês tem afetado também outros países da América Latina, como Venezuela e Chile, que vendem petróleo e cobre, respectivamente, ao país asiático.

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) sinalizou que a região crescerá cerca de 0,5% neste ano e citou a queda dos preços das matérias primas devido à desaceleração chinesa como uma das principais causas.

As moedas de países emergentes também têm sido pressionadas pelas notícias vindas da China. Na segunda-feira, em meio à tensão nos mercados, o dólar atingiu o maior valor em mais de 12 anos ante o real.

Os preços de muitas commodities foram afetados, especialmente o do petróleo.

O preço do petróleo Brent caiu cerca de um terço desde meados de junho – quando começou a queda do mercado de ações chinês.

A China é grande compradora de commodities industriais e a possibilidade de o país reduzir o consumo de materiais também pressionou os preços do cobre e alumínio, por exemplo.

O ouro subiu nas últimas semanas, embora seu preço ainda esteja menor do que no início da queda da bolsa chinesa em junho. A commodity é vista por muitos como um investimento seguro, proteção contra inflação e instabilidade financeira.

As quedas mais recentes nas ações chinesas também pressionaram algumas moedas vistas como investimentos seguros, como o iene e o franco suíço.

O dólar certamente pode ser afetado da mesma maneira. Mas o impacto imediato foi fazer com que investidores acreditassem em um adiamento do esperado aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve, o Banco Central americano.

Aqueles que emprestaram dinheiro para comprar ações nos últimos meses foram fortemente atingidos. Mas a maioria das pessoas não possui ações – apenas uma em cada 30 tem, segundo a Capital Economics.

A vida da maioria dos chineses seria afetada por problemas na economia do país.

Se a China conseguir transitar suavemente para um crescimento mais lento e sustentável, é provável que continue tendo um desempenho suficiente o bastante para aumentar o padrão de vida da maioria das pessoas.

Uma desaceleração mais traumática significaria falências de empresas e perda de empregos.

Autoridades têm várias opções para estimular a economia que podem afetar os mercados acionários.

A bolsa de Xangai caiu 7,6% nesta terça-feira, ampliando as perdas da “segunda-feira negra”, quando perdeu 8,5%. Após o fechamento dos mercados, autoridades anunciaram um corte de 0,25 ponto percentual na principal taxa de juros do país, para 4,6%.

É o quinto corte da taxa desde novembro. O Banco Central chinês também cortou a taxa de reserva exigida de bancos em 0,5 ponto percentual.

Além disso, investidores e analistas dizem que o governo pode relaxar regras sobre empréstimos bancários, aumentar os gastos ou fomentar uma queda ainda maior do yuan para estimular as exportações.

Quão preocupados devemos ficar?

As opiniões variam sobre quão saudável a economia chinesa está.

Mas uma crise lá teria impactos graves no resto do mundo, especialmente em países e empresas que exportam à China, já que o país asiático é um comprador importante de commodities industriais, como petróleo, cobre e minério de ferro.

 

 

BBC Brasil

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