29 de julho de 2015 - 08:01

À BBC, porta-voz afegão confirma morte de mulá Omar, aliado nº 1 de Bin Laden

Autoridades afegãs anunciaram a morte do mulá Mohammed Omar, líder do Talebã afegão e aliado de Osama Bin Laden; o grupo extremista islâmico não comentou a informação.

Um porta-voz do Diretório de Segurança do Afeganistão, Haseeb Seddiqi, confirmou para o Serviço Afegão da BBC em um programa ao vivo que ele realmente está morto.

Seddiqi afirmou que as autoridades sabiam que Omar morreu devido a um problema de saúde em um hospital do Paquistão.

Em uma declaração independente concedida à agência Associated Press, Seddiqi afirmou que a morte de Omar teria ocorrido em um hospital de Karachi, no Paquistão, em 2013.

O governo do Paquistão não comentou as declarações até agora. As autoridades paquistanesas sempre negaram que Omar tenha estado no país.

Confirmação

Antes, o governo do Afeganistão, depois de confirmar a morte, chegou a dizer que ainda estava investigando a informação.

A confirmação de Seddiqi veio depois que um porta-voz da Presidência do país, Sayed Zafar Hashemi, ter afirmado que o governo informaria a imprensa e os afegãos depois de “conseguir mais autenticidade” das informações.

Mas, fontes e assessores próximos do presidente, Ashraf Ghani, confirmaram à BBC que Mohammed Omar está morto.

Não foram divulgados mais detalhes das circunstâncias da morte. Um porta-voz do Talebã disse à BBC que o grupo divulgará um comunicado em breve.

Esta é a primeira vez que autoridades afegãs confirmam a morte do mulá. Nos últimos anos, o Talebã chegou a divulgar diversas mensagens atribuídas a ele.

O mulá Omar liderou a vitória do Talebã sobre milícias afegãs rivais na guerra civil que eclodiu no país após a retirada de tropas soviéticas, em 1989.

Sua parceria com o ex-líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, levou à invasão do Afeganistão liderada pelos Estados Unidos em 2001, após os ataques de 11 de setembro.

Desde então, manteve-se recluso. O Departamento de Estado americano oferecia uma recompensa de US$ 10 milhões por informações que levassem à sua captura.

Segundo o Talebã, o mulá nasceu em 1960 no vilarejo de Chah-i-Himmat, na Província de Kandahar. Tornou-se o “líder supremo” do grupo em 1996.

No início deste ano, o Talebã publicou sua biografia. A obra diz que ele não tinha uma casa nem conta em banco. Diz, também, que ele tinha “um senso de humor especial”.

 

 

BBC Brasil

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