18 de maio de 2015 - 07:44

Autor de atentado pode ficar no corredor da morte por décadas

Um júri sentenciou Dzhokhar Tsarnaev à morte por sua participação no atentado à Maratona de Boston, em 2013. Mas o que acontece agora, enquanto ele espera a execução?

Tsarnaev, 21, em breve deixará o Estado de Massachussetts, onde mora desde que se mudou da Rússia para os Estados Unidos aos oito anos de idade.

Ele deve ser transferido para uma prisão federal em Terre Haute, Indiana, onde aguardará a execução por injeção letal. Esse tipo de punição voltou a ser utilizado para crimes federais nos Estados Unidos em 1988.

Até hoje, somente três de 74 condenados à morte na Suprema Corte Federal cumpriram a sentença – os três em Terre Haute.

Timothy McVeigh, que orquestrou o atentado no Edifício Federal Alfred P. Murrah, em Oklahoma City, em 1995, foi executado naquele presídio.

Os advogados de Tsarnaev deverão apelar da decisão do júri, e o processo pode ficar vários anos na Justiça até ser concluído.

É comum condenados à morte nos Estados Unidos esperarem mais de uma década para cumprir sua sentença, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, um grupo de advogados que se opõe à prática desse tipo de sentença.

No caso de Manuel Valle, por exemplo, 33 anos se passaram até as autoridades cumprirem sua execução por ter matado um policial na Flórida.

 

Sentença controversa

A pena de morte é proibida no Estado de Massachusetts, mas foi uma opção nesse caso porque Tsarnaev foi acusado de cometer crimes federais.

Uma pesquisa recente feita pelo jornal Boston Globe constatou que somente 15% das pessoas na cidade eram a favor da execução do autor do atentado.

Os pais de Martin Richard, um garoto de oito anos morto na explosão, escreveram um artigo no mesmo Boston Globe no mês passado pedindo ao governo para evitar a sentença de morte, já que isso adiaria o desfecho do caso e prolongaria a dor dos familiares.

“Esse tipo de punição pode estender o caso por anos, com a defesa apelando a outras instâncias, e vai prolongar o sofrimento”, escreveram Bill e Denise Richard.

“Esperamos que nossas duas crianças que ficaram aqui não tenham de crescer com a dolorosa lembrança daquilo que o réu tirou deles, algo que anos de apelações no caso sem dúvida trariam.”

O promotor do caso, Steve Mellin, disse ao júri que a morte era a única punição apropriada para Tsarnaev – que era um estudante universitário quando ajudou a posicionar a bomba para explodir na linha de chegada da maratona.

“Esse réu não quer morrer. Nós sabemos disso porque ele teve várias oportunidades de morrer nas ruas de Boston e Watertown”, disse Mellin.

“A sentença de morte não é dar a ele o que ele quer. Mas é dar a ele o que merece.”

 

 

BBC Brasil

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