22 de julho de 2014 - 01:55

UE enfrenta dilema para ampliar sanções à Rússia após tragédia do MH17

Inspetor em meio aos destroços do MH17, nesta terça (Reuters)Teme-se que pistas em meio aos destroços estejam sendo danificadas ou perdidas

Chanceleres da União Europeia debatem nesta terça-feira em Bruxelas a adoção de mais sanções econômicas contra a Rússia por seu suposto papel em armar os rebeldes ucranianos, acusados por países ocidentais de terem causado a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo, na semana passada.

A chefe de relações exteriores do bloco, Catherine Ashton, disse que até quinta-feira deverá ser produzida uma nova lista de indivíduos e entidades russas a serem punidos.

Tanto os EUA como a UE têm imposto sanções à Rússia desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em março, e a deterioração dos conflitos no leste da Ucrânia.

Mas até o momento os europeus têm evitado sancionar setores inteiros da economia russa em reação à crise – a escolha tem sido banir viagens e congelar bens de indivíduos em vez de apertar o cerco contra o círculo próximo ao presidente Vladimir Putin.

A realidade é que, até o momento, a UE tem tido dificuldades em encontrar uma unidade em sua resposta à Rússia. Sanções exigem consenso, e os países europeus têm tido que se contentar em aplicar mínimo denominador comum entre eles.

A Alemanha e a Itália, por exemplo, têm laços muito próximos com a Rússia: Roma, com sua economia fragilizada, é muito dependente da energia russa; Berlim tem 6 mil empresas que negociam com os russos – e muitos de seus empresários são abertamente contra sanções.

A França, por sua vez, vem resistindo à pressão contra a venda de dois porta-helicópteros Mistral à Rússia. E, só no mês passado, 400 marinheiros russos estiveram no porto francês de Saint-Nazaire para treinamento.

Impacto econômico

Eis o dilema: a UE entende que a vulnerabilidade da Rússia é a sua economia, que está à beira de uma recessão. Mas a zona do euro também está economicamente enfraquecida.

A produção industrial alemã caiu durante três meses consecutivos (alguns economistas do país argumentam que a crise na Ucrânia já está tendo efeitos negativos sobre a economia da Alemanha). A França está estagnada. E autoridades reconhecem que, a não ser que os países europeus estejam dispostos a sofrer danos econômicos, sua punição às ações de Putin não terão grande convicção.

Agora, o tema ganha urgência por conta da tragédia do voo MH17. O premiê britânico, David Cameron, afirmou que “alguns no Ocidente, em vez de buscar uma solução, têm simplesmente esperado que o problema desapareça”.

Cameron, François Hollande (presidente da França) e Angela Merkel (chanceler alemã) falaram ao telefone e, segundo o governo britânico, “concordaram que a UE tem de rever sua abordagem à Rússia, e seus ministros de Relações Exteriores devem estar preparados para impor mais sanções aos russos”.

O Reino Unido argumenta que as punições devem abranger o cículo próximo a Putin, mas alguns países propõem apenas acrescentar nomes à lista de 70 pessoas que já tiveram seus bens congelados na Europa.

Outros pedem um embargo financeiro, que tornasse mais difícil a empresas russas conseguir linhas de crédito, além de um veto à exportação de equipamentos militares à Rússia.

Os EUA certamente estão frustrados com o que veem como medidas europeias “mornas” contra Moscou.

Mas a Europa tem muito mais acordos com a Rússia do que os EUA – ou seja, os países europeus têm mais a perder ante a deterioração dos laços com o Kremlim.

Putin

Mas as sanções americanas sobre os russos estão tendo impacto. Putin afirmou que as restrições têm levado a relação russo-americana a um “beco sem saída”.

Já Angela Merkel argumenta que é importante manter o diálogo com Putin e se opõe a um racha mais profundo entre Ocidente e Oriente.

Por isso, o mais provável é que novas sanções sejam graduais. Nos bastidores, há vozes poderosas advertindo contra a ideia de encurralar Putin – que nesta terça foi à TV dizer que a Rússia fará todo o possível para pôr fim ao conflito ucraniano.

Caberá aos chanceleres europeus tomar decisões difíceis: para manter sua própria credibilidade, eles deverão adotar medidas contra Moscou, mas ao mesmo tempo deixar a porta aberta para o diálogo.

 

 

BBC Brasil

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