11 de julho de 2014 - 12:32

Com cerca de cem mortes, situação de Gaza é “emergência humanitária”, segundo ONU

As Nações Unidas definiram nesta sexta-feira (11) a situação na faixa de Gaza como “uma emergência humanitária crescente”, após vários dias de bombardeios do Exército israelense contra a região, que já causaram a morte de cerca de uma centena de pessoas.

Militantes do Hamas também prosseguem com o lançamento de foguetes contra Israel e fizeram nesta sexta sua primeira vítima: uma pessoa ficou ferida em estado grave após a explosão de um tanque de combustível atingido por um projétil em Ashdod, 30 km ao norte de Gaza.

O conflito israelo-palestino se agravou nas últimas semanas após o sequestro e morte de três jovens israelenses e de um jovem palestino.

Até a tarde de quinta (10), a ONU tinha contabilizado cinco instalações hospitalares gravemente danificadas e cerca de 350 casas parcialmente ou totalmente destruídas por causa dos bombardeios israelenses em Gaza.

A destruição das casas deixou cerca de 2.000 pessoas sem lar, obrigando-as a procurar refúgio em espaços públicos ou em casas de parentes ou desconhecidos que os acolhem.

Nesta sexta, duas pessoas morreram em um bombardeio israelense contra um veículo que circulava pelo campo de refugiados palestinos de Al-Bureij, no centro de Gaza, o que eleva para cerca de cem o número de palestinos mortos e para quase 700 o de feridos durante os quatro dias de ofensiva militar israelense, informaram fontes médicas.

Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter dito ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estar disposto a ajudar a negociar um cessar-fogo, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu que o Conselho de Segurança das Nações Unidas ordenasse uma trégua imediata.

Mas o comandante militar de Israel, general Benny Gantz, disse que suas forças estavam prontas para agir conforme o necessário – uma indicação da prontidão para enviar tanques e outras tropas terrestres, como feito durante duas semanas no começo de 2009.

“Estamos em meio a uma ofensiva e estamos preparados para expandi-la conforme for exigido, para onde quer que seja preciso, com qualquer força que seja requisitada e pelo tempo que for necessário”, disse Gantz .

Israel já convocou 20 mil reservistas para uma possível ação terrestre em Gaza.

Aeroporto ameaçado

Diante dessa ameaça, militantes palestinos alertaram companhias aéreas internacionais de que disparariam foguetes contra o principal aeroporto de Tel Aviv.

O aeroporto permaneceu em pleno funcionamento desde que Israel deu início à sua ofensiva aérea contra a faixa de Gaza. Companhia aéreas internacionais continuaram a pousar no aeroporto, apesar dos agora diários disparos de foguetes contra Tel Aviv.

“O braço armado do movimento Hamas decidiu responder à agressão israelense e alertar vocês para que não realizem voos ao aeroporto Ben-Gurion, que será um de nossos alvos hoje, por também sediar uma base aérea militar”, disse um comunicado do grupo islamita Brigadas Izz el-Deen al-Qassam, braço armado do Hamas.

Um porta-voz da Autoridade Aeroportuária de Israel disse que uma sirene soou no aeroporto Ben-Gurion, interrompendo todas as atividades por cerca de 10 minutos, mas que isso teria sido parte de um alerta geral naquela área de Tel Aviv e não uma ameaça direta ao aeroporto.

Disparos de foguetes do Hamas e seus aliados, alguns alcançando mais de 100 quilômetros de distância de Gaza, não mataram ninguém até o momento, em parte por causa da interceptação do sistema de defesa aérea de Israel, construído com financiamento norte-americano.

Mas os episódios interromperam o cotidiano do país, à medida que centenas de milhares de pessoas têm buscado abrigo ao ouvirem as recorrentes sirenes de alertas.

Israel diz ter atacado cerca de 1.090 alvos por mar e pelo ar desde o início da ofensiva “Limite Protetor”, lançada no último dia 7.

Ataques

Três foguetes foram disparados do Líbano em direção ao norte de Israel nesta sexta-feira, e o Exército de Israel respondeu com fogo de artilharia, disseram militares libaneses. Não há registro de vítimas.

O sul do Líbano é um reduto do Hezbollah, grupo muçulmano xiita que entrou em combate com Israel sete anos atrás e está envolvido na guerra civil da Síria, em apoio ao ditador Bashar Assad. Também há grupos palestinos atuantes na mesma área.

 

 

UOL com Efe e Reuters

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