26 de junho de 2014 - 10:09

Editais de audiovisual incentivam talentos no interior do país

Municípios do interior do país estão entrando no circuito produtivo audiovisual com o auxílio do Ministério da Cultura. Serão produzidos 68 filmes curtas e médias-metragens, num valor total de R$ 2,3 milhões.
A primeira parcela dos editais lançados no final do ano passado já foi paga. “Os três editais – Carmen Santos, Curta Criança e Curta Animação – têm o intuito de construir uma política pública afirmativa, com o objetivo de corrigir desigualdades sociais e promover o equilíbrio de oportunidades,” explica Mário Borgneth, secretario do Audiovisual do Ministério da Cultura.
O Edital Carmen Santos, criado em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, incentiva a produção de filmes dirigidos por mulheres.
O nome do edital é uma homenagem à atriz, produtora e diretora de cinema Carmen Santos. A atriz sempre teve uma atuação pioneira em suas atividades profissionais. Em 1931, Carmen participou como atriz de “Limite”, filme mítico de Mário Peixoto.
Para Regina Melo, diretora de “Os Anseios das Cunhãs”, contemplada no edital, isso possibilita a descoberta de talentos num mercado altamente competitivo e com predominância masculina. “A reunião de várias mulheres com interesses comuns na produção de audiovisual vai contribuir para estimular a cadeia produtiva de cinema de mulheres, promovendo um dinamismo no setor,” diz.
Regina começa a filmar em julho, com uma equipe predominantemente composta por mulheres. “Serão três atrizes do Teatro da Boca Rica, de Fortaleza, uma diretora de fotografia, que virá de Natal, e uma preparadora de elenco, do Rio de Janeiro,” diz Regina Melo.
Já o edital Curta Criança incentiva a produção de filmes voltados para o público infantil. Para o designer gráfico e animador Marco Nikk, de Sabará (MG), as políticas públicas voltadas para a produção de animação são fundamentais para o desenvolvimento do setor. “Através desses incentivos, novas produções podem ser realizadas, trazendo novos conhecimentos, processos e experiências. Principalmente quando esses incentivos contemplam realizadores iniciantes, como é o meu caso. Ter a oportunidade de experimentar todo o processo de produção, do início ao fim, com uma equipe, é muito importante para o meu desenvolvimento como realizador, e isso se reflete diretamente no resultado da animação. Se toda a cadeia produtiva recebe incentivo, desde a pré-produção até a distribuição e a exibição, o maior beneficiado é o público, que tem acesso a produções cada vez melhores.”
Para Marco Nikk, que está em fase de pré-produção da animação “Viagem do Menino sem Sonhos”, o país vive uma evolução nas produções da categoria. “Temos séries de TV fazendo sucesso no Brasil e no exterior, longas-metragens sendo exibidos e premiados nos maiores festivais de cinema de animação.”
Há ainda o edital Curta Animação, que apóia a produção de micrometragens com temática ambiental. Silvio Soares Toledo, de Campina Grande (PB),acredita que os editais públicos são fundamentais. “Como não há tradição da iniciativa privada em investir em curtas de animação, a iniciativa do Ministério da Cultura é decisiva para fomentar o setor.”
Silvio Toledo vai ainda mais longe: “Um país tão grande precisa ter sua própria cultura de animação e não apenas importar os enlatados americanos e japoneses, que vêm como um pacote de dominação e alienação cultural,” diz o realizador que se prepara para fazer “Mar de Plástico” com a verba do edital.
O pagamento não esgota as ações da Secretaria do Audiovisual neste ano. Estão previstos novos editais de produção e um conjunto de oficinas de formatação de projetos audiovisuais, construídos a partir do vetor da regionalização, para o segundo semestre, entre outras iniciativas.
 
Assessoria de Comunicação do Ministério da Cultura

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