7 de março de 2014 - 08:35

Cientistas modificam células de pacientes e aumentam a resistência contra o HIV

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, usaram, pela primeira vez, uma técnica de terapia genética para fortalecer o sistema imunológico de 12 pacientes com HIV, fazendo com que o próprio organismo os protegesse contra a aids. A expectativa é que, futuramente, os pacientes não precisem mais tomar medicamentos diários para controlar a infecção. Os resultados do trabalho foram divulgados nesta quinta-feira, dia 6, pela publicação científica New England Jornal of Medicine.

Esta é a primeira fase clínica da pesquisa, na qual foi testada a segurança da técnica. Apenas um dos pacientes apresentou reações adversas após passar pelo procedimento (febre). Na pesquisa, as células de defesa, chamadas de células T, foram retiradas dos pacientes e manipuladas para que desenvolvessem resistência ao HIV. O objetivo era bloquear a ação do gene CCR5, impedindo que o HIV se ligasse a essas células e as infectasse. Algumas pessoas, cerca de 1% da população mundial, apresentam essa mutação naturalmente. A ideia dos cientistas foi “imitar” essa proteção natural por meio da terapia genética.

A edição genética para o combate ao HIV nunca havia sido testada antes em seres humanos. “Esse estudo mostra que podemos modificar de forma segura as células T do paciente com HIV para simular uma resistência natural ao vírus e, depois, injetar essas células alteradas no paciente, de modo que elas mantenham a carga viral baixa, sem o uso de drogas”, disse o professor Carl June, um dos autores do estudo. “Isso reforça a nossa crença de que as células T modificadas são a chave para eliminar a necessidade de antirretrovirais ao longo da vida”, completou.

Quatro dos 12 pacientes avaliados conseguiram completar as 12 semanas de interrupção dos antirretrovirais após receberem as células modificadas. Com isso, os pesquisadores puderam observar que as células de defesa modificadas persistem no organismo do paciente e que, com isso, a presença do vírus diminui mesmo sem o uso de medicamentos antirretrovirais. Agora, o tratamento deverá ser testado em estudos maiores para que, futuramente, os pesquisadores possam investigar se o mecanismo poderá ser usado para obter  a cura funcional para a aids.

Histórico. Terapias baseadas na mutação CCR5 ganharam destaque nos últimos seis anos, depois que um homem conhecido como  paciente de Berlim foi “funcionalmente” curado da aids. Diagnosticado com leucemia mieloide aguda (LMA), ele recebeu um transplante de células-tronco de um doador que tinha a mutação CCR5 nos dois alelos e está, desde 2008, sem tomar antirretrovirais. Os pesquisadores estão tentando replicar esse fenômeno porque transplantes, que carregam um alto risco de mortalidade e exigem longas hospitalizações, não são uma solução prática para pacientes com HIV que não têm câncer. Transplantes também não são capazes livrar o corpo de HIV se o doador não apresentar a mutação de forma específica (nos dois alelos).

 

 

Estadão

Outras Notícias

Últimas Notícias

© Copyright 2012 Portal Pedra Bonita - Email: contato@portalpedrabonita.com.br