23 de fevereiro de 2014 - 09:53

Presidente do Parlamento assume governo da Ucrânia temporariamente

O Parlamento da Ucrânia decidiu neste domingo (23) entregar temporariamente ao presidente da casa, Oleksander Turchynov, as funções de presidente do país. Turchinov foi eleito neste sábado (22) como presidente do Parlamento, pouco antes de os deputados votarem pela deposição do então presidente Viktor Yanukovich.

A nomeação de Turchynov como presidente interino foi aprovada por 285 dos 339 deputados presentes na sessão. A Constituição ucraniana prevê que o presidente do Parlamento assuma as funções de chefe de Estado no caso de vazio de poder.

Turchinov, de 49 anos, vem da mesma cidade que a líder opositora Yulia Tymoshenko, Dnipropetrovsk, no sudeste da Ucrânia, e é vice-líder do seu partido Pátria.

Ele atuou como chefe do serviço de segurança do Estado da Ucrânia, após a Revolução Laranja de 2004-05, que foi co-liderada por Tymoshenko.

Também neste domingo, os parlamentares determinaram que até a próxima terça-feira (25) devem formar um governo nacional de coalizão, que irá começar a debater as candidaturas a primeiro-ministro do país, em mais um passo para a formalização da tomada do poder por parte da oposição. “Essa é uma tarefa prioritária”, disse Turchynov.

Ele afirmou que as discussões sobre o novo governo devem começar imediatamente, um dia após a câmara votar pela deposição do presidente Viktor Yanukovich e dois dias após um acordo estabelecido com o governo para tentar controlar a crise no país.

O Parlamento ainda aprovou neste domingo a devolução da casa de Yanukovich ao Estado. Ele deixou Kiev neste sábado e a casa foi tomada pela oposição e aberta ao público para visitação. O paradeiro de Yanukovich é desconhecido – houve relatos de que ele tentou fugir do país.

Os deputados também aprovaram a deposição do ministro das Relações Exteriores ucraniano, Leonid Kozhara, aliado de Yanukovich. Outros dois aliados do antigo governo, o ex-procurador-geral Viktor Pshonka e seu antecessor na pasta do Interior, Vitaliy Zakharchenko, ambos destituídos pela Rada Suprema (Parlamento), têm paradeiro deconhecido.  Os dois tiveram ordem de prisão decretada.

Oleksander Turchynov logo após ser eleito presidente do Parlamento ucraniano neste sábado (22) (Foto: Alex Kuzmin/Reuters)Oleksander Turchynov logo após ser eleito presidente do Parlamento ucraniano neste sábado (22) (Foto: Alex Kuzmin/Reuters)

Coalizão
Ter uma coalizão de maioria é uma condição contemplada pela Constituição de 2004, que no sábado (22) foi novamente posta em vigor em outra sessão parlamentar, na qual a oposição ao deposto presidente Viktor Yanukovich nomeou vários cargos, entre eles alguns ministros, e destituiu o líder com uma simples votação e sem debate.

O deputado Nikolai Tomenko, do partido Batkivschina (Pátria), da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, reconheceu que a formação de uma coalizão de maioria pode ser complicada dado que os deputados das frações opositoras – a própria Batkivschina, o partido Udar (Golpe) e Svoboda (Liberdade) – não querem aceitar que se somem alguns legisladores do Partido das Regiões, do deposto Yanukovich e até agora no Governo.

O deputado assegurou que no Parlamento já soam três candidatos para o posto de primeiro-ministro, a própria Tymoshenko, o líder da fração parlamentar de Batkivschina, Arseni Yatseniuk, e o independente Piotr Poroshenko.

Kiev
O centro de Kiev, que durante a semana praticamente virou uma praça de guerra, parecia recuperar o ar de normalidade, apesar da presença das forças de segurança e das barricadas dos manifestantes.

Em Maidan (Praça da Independência) a sensação era de alívio e cautela. Um grupo cantava o hino nacional e alguns gritavam “Glória a Ucrânia”.

Nas proximidades, as lojas, que permaneceram fechadas nos últimos dias, começaram a abrir as portas.

Ao mesmo tempo foram registrados saques na sede do Partido Comunista, aliado do partido de Yanukovitch no Parlamento, e a fachada do prédio foi pintada com palavras como “criminosos”, “assassinos”, “escravos de Yanukovitch”.

Desde o início da semana, quase 40 estátuas de Lenin foram derrubadas ou destruídas, principalmente na região leste do país.

 

 

G1

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