12 de fevereiro de 2014 - 11:03

Série sobre Dominguinhos será lançada na internet

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“Um menino que chegou de um outro ambiente e que de repente começou a viver o mundo glamourizado e que passou a expressar fascínio por este mundo? Não. Dominguinhos esteve sempre na dele. Sempre ali…” Assim Gilberto Gil fala de Dominguinhos, amigo de longa data com quem rodou o Brasil tocando grandes sucessos e de quem gravou vários outros, emDominguinhos +, web série que estreia no dia 26 e traz em oito capítulos encontros do músico com parceiros com quem dividiu o palco, as músicas, as ideias e os sonhos ao longo de sua carreira.

Morto em julho de 2013, Dominguinhos, um dos maiores sanfoneiros (como gostava de ser chamado) que o Brasil já teve, faria 73 anos hoje. E ganha em sua homenagem não só a série, mas também Dominguinhos, documentário em longa-metragem que deve chegar aos cinemas em maio.

O que será que ele acharia do documentário? “Acho que ele iria gostar e se emocionar. Chegamos a mostrar uma primeira versão para ele há alguns anos, quando ainda estávamos na fase de entrevistas, mas ele, que já enfrentava o câncer há tempos, ficou emocionado e pediu para pararmos”, contam a produtora executiva Deborah Osborn e o diretor-geral da série Felipe Briso, sócios da produtora bigBonsai. “Hoje, com a série e o documentário, ele se veria de forma como nunca teria se visto. E é isso que as pessoas verão. Um cara encantador que vai muito além do sanfoneiro, um grande instrumentista, cantor e compositor”, completa o músico Eduardo Nazarian, que ao lado de Mariana Aydar e Joaquim Castro assina a direção do documentário.

Briso, que é produtor do documentário e diretor-geral da web série, é quem explica o porquê de se dividir em dois produtos distintos um projeto que nasceu único, com a concepção de Mariana, Nazarian e Duani. “Trabalhamos há cerca de seis anos neste projeto. Temos 60 horas de material filmado, que registram desde shows a momentos mais íntimos, passando por uma viagem com ele a Garanhuns, sua terra natal. E também, como parte do projeto inicial, produzimos e gravamos encontros dele com diversos músicos”, diz o produtor e diretor. “Mas no processo de montagem, com o Joaquim Castro, fomos percebendo que era a força da voz do próprio Dominguinhos, contando sua história, que deveria estar no documentário. E os encontros foram ficando de lado”, completam Mariana e Nazarian.

O que fazer, então, diante de um material raro, que traz o sanfoneiro em instantes memoráveis com nomes como Gil, Hermeto Pascoal, João Donato, Wilson das Neves, Luiz Alves, Elba Ramalho, Lenine, Mayra Andrade, Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Djavan e Orquestra Jazz Sinfônica? “Transformar isso em uma série paralela ao longa, mostrar isso ao público e prestar essa homenagem a um dos maiores músicos que já tivemos”, respondem Briso, Mariana e Nazarian.

São esses encontros que, a partir do dia 26, vão ao ar toda quarta até abril, pelo canal do projeto no Facebook (www.facebook.com/dominguinhosmais) e no YouTube ( www.youtube.com/dominguinhosmais).

Mais que meros registros, os encontros, gravados em um estúdio, possuem qualidade de som impecável e serão em breve transformados em CD. Além disso, quem assistir a cada um dos encontros poderá, ao final, clicar em um link que dará acesso a outras duas músicas gravadas por ele e pelos convidados. Ao todo, nesta playlist especial, haverá 16 canções interpretadas por Dominguinhos e parceiros que complementam os minidocumentários.

Já Dominguinhos, o filme, tem estreia prevista para maio e deve passar antes por grandes festivais. Um dos confirmados é o Bafici ( Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires), em abril. “Com linguagem mais artística, é narrado em primeira pessoa, tem imagens poéticas e refaz a trajetória do menino que saiu do sertão, chegou ao Rio em 1954, foi pedreiro, morou muitos anos em Nilópolis, foi descoberto por Luiz Gonzaga e pelos grandes músicos brasileiros dos anos 70″, dizem Mariana e Nazarian.

Foi com Nazarian, aliás, que tudo começou. “Vi Dominguinhos tocar uma vez em uma livraria. Ele estava tão despido de qualquer artificialidade. Era tão ele, tão íntegro e ao mesmo tempo tão sofisticado ali, fora do ambiente dos shows de baião em que eu sempre o via. Quando o vi sem o chapéu de couro, que pensei que estava diante de um músico complexo e, ao mesmo tempo, simples. E pensei: temos de fazer um documentário sobre ele”, relembra Nazarian, que em seguida dividiu a ideia com a amiga Mariana Aydar.

E assim o projeto começou. “Só tempos depois, quando já estávamos registrando muita coisa, em um momento em que ele estava enfrentando o câncer e que mesmo assim era capaz de fazer dois shows em uma noite, e dirigir de um para outro, nos acompanhar nas gravações e ainda assim sorrir é que conseguimos patrocínio. A partir daí, produzimos os encontros com os músicos e, finalmente, terminamos o projeto”, acrescentam Mariana, Briso e Nazarian. O resto é música. E história para ser contada e vista.

 

 

Estadão

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