20 de janeiro de 2014 - 05:38

Convite ao Irã provoca crise que pode ameaçar conferência sobre Síria

Um inesperado convite da ONU para que o Irã participe da conferência pela paz na Síria, nesta semana, deu início a uma série de conflitos diplomáticos que podem ameaçar as chances de que a crise síria seja solucionada pelas negociações.

As Nações Unidas haviam afirmado, no domingo, que Teerã fora convidada ao evento, que começa nesta quarta-feira em Montreux, na Suíça. Em seguida, o país persa confirmou sua presença, alertando porém que não está comprometido com o estabelecimento de um governo de transição na Síria.

A Coalizão Nacional Síria, principal grupo de oposição, afirmou por sua vez que irá boicotar as negociações a não ser que o Irã seja desconvidado. A Arábia Saudita também criticou a possível presença iraniana.

Os EUA, surpreendidos, reuniram-se com a ONU para discutir o convite. Fontes ligadas ao governo americano afirmavam, hoje, esperar que as Nações Unidas cancelassem a participação do Irã.

CONTEXTO

A insurgência síria foi iniciada em março de 2011 e, desde então, já deixou mais de 100 mil mortos no país, de acordo com estimativas da ONU -que, no entanto, deixou de atualizar as cifras.

A conferência na Suíça é uma tentativa da comunidade internacional de encerrar a crise, com implicações regionais, a exemplo da recente instabilidade no Líbano.

A ideia de que rebeldes formem um governo na Síria foi, no entanto, considerada uma “piada” pelo ditador sírio Bashar al-Assad, em rara entrevista à agência de notícias AFP, na qual ele também afirmou haver chance “significativa” de que concorra a um novo mandato.

“Eles vêm para a fronteira para uma [...] fotografia de 30 minutos e então fogem. Como podem ser ministros?”, perguntou, durante a entrevista de 45 minutos à agência AFP. Ele se referia à oposição cuja liderança vive hoje no exterior.

EXTERNO

Assad tem criticado a insurgência, descrevendo-a como grupos terroristas criados por atores internacionais como Qatar, Arábia Saudita e os EUA. “Quando nos sentamos com essas organizações, estamos na verdade negociando com esses países.”

“Está claro para todos que alguns desses grupos que podem participar da conferência não existiam até recentemente”, disse Assad.

A insurgência foi iniciada em março de 2011 na Síria. Se por um momento pareceu que rebeldes tomavam o controle do país, hoje as notícias dão conta dos firmes avanços do regime de Assad.

“Isso não quer dizer que a vitória esteja próxima. Esse tipo de batalha é complicado, difícil e precisa de bastante tempo”, disse o ditador à AFP. “Mas, quando você está defendendo seu país, sua única opção é vencer.”

 

 

Folha de S. Paulo

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