8 de janeiro de 2014 - 09:45

Onda de frio perde força, mas prejuízo dos EUA deve bater em US$ 5 bilhões

WASHINGTON – A devastadora massa de ar polar que afetou 190 milhões de pessoas nos EUA esta semana começou a ceder nesta quarta-feira, 8. Apesar de curto, o chamado vórtice polar deverá ter um impacto econômico de US$ 5 bilhões em razão do grande número de afetados, segundo a consultoria Planalytic, especializada no efeito de fenômenos naturais na economia. Isso reduziria em 0,2 ponto porcentual o crescimento do PIB no primeiro trimestre.

Congelamento: Neve e gelo cobriram Vale do Mississippi - Kiichiro Sato/AP
Kiichiro Sato/AP
Congelamento: Neve e gelo cobriram Vale do Mississippi

A previsão para o fim de semana é que a situação se inverta: o frio extremo dará lugar a máximas superiores às médias históricas para essa época do ano.

Terça-feira, todos os 50 Estados americanos registraram temperaturas negativas em algum momento do dia, incluindo regiões montanhosas do Havaí. As temperaturas subiram gradualmente quarta-feira, em um movimento que deverá se intensificar nos próximos dias.

Em Washington, os termômetros oscilaram entre -4ºC e -2ºC, bem acima do intervalo de -14ºC e -7ºC registrados no dia anterior, quando a mínima ficou 12ºC abaixo da média histórica. No sábado, a temperatura ficará entre 9ºC e 18ºC, segundo as previsões, patamar de pelo menos 11ºC acima da média do mês de janeiro.

A mudança radical no movimento dos termômetros começou em algumas regiões. Em Atlanta, no Sul, a mínima chegou a -14ºC na terça-feira, um recorde. Normalmente, a cidade registra de 1ºC a 11ºC nessa época do ano. Quarta-feira, a temperatura variou de -3ºC a 7ºC e poderá chegar a 17ºC no sábado, 6ºC acima da média.

Com a elevação das temperaturas, a situação começou a se normalizar nos aeroportos, depois do cancelamento de 11 mil voos entre domingo e terça-feira. Até o fim da tarde de quarta-feira, 770 aviões haviam deixado de decolar.

Na terça-feira, 190 milhões de americanos enfrentaram temperaturas negativas bem mais baixas que o usual, o equivalente a 60% da população.

Além dos cancelamentos de voos, que afetam os resultados das companhias aéreas, o frio extremo reduziu a receita de lojas, restaurantes e companhias de transportes, já que milhões de americanos permaneceram em suas casas.

MORTES

Desde domingo, 21 pessoas morreram em cinco Estados em situações relacionadas ao mau tempo, de acordo com levantamento da Associated Press. As estatísticas incluem vítimas de acidentes de trânsito provocados por baixa visibilidade ou pistas escorregadias.

Abrigos para sem-teto ficaram lotados em todo o país, com pessoas em busca de proteção contra o frio. O Serviço Nacional de Meteorologia alertou que a população deveria permanecer dentro de casa nas regiões mais afetadas, especialmente no centro-norte. A exposição a temperaturas extremamente negativas pode provocar o congelamento da pele e hipotermia em poucos minutos.

Na terça-feira, os termômetros ficaram entre 14ºC e 19ºC abaixo da média histórica no centro e no leste do país, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia. Em Nova York, a mínima chegou a -15ºC no Central Park, o que derrubou o recorde de -14ºC registrado na mesma data em 1896. Com o impacto do vento, a sensação térmica era -21ºC.

No Estado de Illinois, a temperatura chegou ao menor patamar para um dia 7 de janeiro em Chicago, com -27ºC – a sensação térmica chegou a -34ºC, o que paralisou a cidade.

A brutal onda de frio foi provocada por um fenômeno meteorológico chamado de vórtice polar, uma espécie de ciclone que ocorre em elevadas altitudes sobre o Ártico. Quando ele tem baixa intensidade, os ventos frios escapam do redemoinho e se espalham para regiões localizadas ao sul do polo norte. Parece paradoxal, mas alguns cientistas acreditam que o frio intenso é resultado do aquecimento global, que reduz a força do vórtice polar.

 

 

Estadão

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