21 de novembro de 2013 - 10:59

PF indicia suspeitos de ligação com cartel em gestões do PSDB

A Polícia Federal indiciou por lavagem de dinheiro e evasão de divisas o consultor Arthur Teixeira, suspeito de receber propina da multinacional Siemens, empresa que admitiu ter participado de cartel que atuou em licitações do sistema de metrô e trens do Estado de São Paulo.

Também foi indiciado pelos mesmos crimes o ex-diretor de operações da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) João Roberto Zaniboni, conforme noticiado ontem pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo.

As irregularidades em concorrências para compra e manutenção de composições aconteceram entre 1998 e 2008, durante governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB, no Estado.

Ex-executivo da Siemens, Ronaldo Cavalieri, que trabalhou na empresa entre 1978 e 2008, disse à PF ter autorizado pagamentos às consultorias Procint e Constech, ligadas a Teixeira e seu irmão Sérgio Teixeira, morto em 2011.

Ele disse que a justificativa para os repasses era um contrato que as duas empresas mantinham com o consórcio Sistrem, formado pela Siemens e outras companhias do setor, entre elas a multinacional francesa Alstom, para a construção da linha 5 do metrô. O primeiro trecho desse ramal, aberto em 2002, foi implantado pela CPTM.

A Procint e a Constech são apontadas como destinatárias de propinas pagas pelo cartel, investigado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Relatório do Cade afirma que o contrato foi oneroso para o governo de São Paulo, pois o preço foi definido em rodadas de negociação, e não em uma concorrência aberta, na qual os valores dificilmente seriam os mesmos.

O indiciamento foi feito pela PF após pedido do Ministério Público da Suíça, que, em outro inquérito, apura o pagamento de propinas pela Alstom em troca de contratos com o governo paulista.

Essa investigação identificou repasses da empresa a Teixeira e Zaniboni, que tiveram seus bens bloqueados, assim como Milena Zaniboni, filha do ex-diretor da estatal paulista de trens.

OUTRO LADO

Os indiciados negam irregularidades.

Luiz Fernando Pacheco, defensor de Zaniboni, disse que seu cliente “reitera que nunca incentivou ou participou de cartel e jamais foi corrompido”. Segundo o advogado, o ex-diretor da CPTM recebeu valores no exterior por serviços de consultoria técnica, antes de assumir o cargo.

A conta foi transferida por ele à filha, que é médica. Pacheco afirmou que, após ter informado que a aplicação estava irregular, ela promoveu o ingresso do dinheiro no Brasil, retificou suas declarações de imposto de renda, pagou os valores devidos à Receita e comunicou o Banco Central.

Após o bloqueio dos bens, o advogado de Teixeira, Eduardo Carnelós, disse que o consultor é um “profissional seríssimo”, que nunca recebeu ou pagou propina.

A Siemens afirma que sempre colaborou com as investigações e ressalta que foi a própria empresa que denunciou o cartel. A Alstom também diz contribuir com as apurações. O PSDB afirma apoiar a elucidação do caso e a punição dos culpados.

 

 

 

Folha de S. Paulo

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