6 de novembro de 2013 - 08:01

Relatório reforça suspeita de envenenamento de Arafat

O líder palestino Yasser Arafat pode ter sido morto por envenenamento com polônio radioativo, de acordo com um relatório forense do governo suíço obtido pela rede Al-Jazeera.

De acordo com os cientistas suíços, os ossos de Arafat tinham níveis de polônio radiotivo até 18 vezes mais altos do que o esperado. A terra do túmulo também foi analisada e apresentou níveis anormais dessa substância.

A viúva do líder palestino, Suha, que recebeu uma cópia do documento, disse que ele é a prova conclusiva de que Arafat foi envenenado.

“Isso confirma nossas suspeitas. Agora está cientificamente provado que ele não morreu de causas naturais e temos provas de que esse homem foi assassinado.”

Em novembro de 2012, o corpo de Arafat foi retirado do mausoléu onde estava sepultado em Ramallah, na Cisjordânia, para ser exumado por uma equipe de especialistas suíços, franceses e russos.

Na época, já haviam suspeitas de contaminação por alguma substância radiotiva, após cientistas suíços terem encontrado alto conteúdo de polônio na roupa e nos objetos pessoais de Arafat.

Israel sempre negou qualquer participação em sua morte. Arafat morreu em 2004 aos 75 anos, após sofrer um derrame cerebral e uma hemorragia provocadas por uma infecção desconhecida.

Dose fatal

Os cientistas não entraram no mérito de como o líder palestino teria sido envenenado. E disseram que há problemas na investigação, como o fato de terem se baseado em amostras limitadas e de já haver passado oito anos de sua morte.

O polônio-210 é uma substância altamente radiotiva. Ela é encontrada em doses pequenas em alguns alimentos e é gerada naturalmente pelo corpo humano, mas pode ser fatal se ingerida em altas doses.

Arafat foi durante 35 anos o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Em 1994, tornou-se presidente da Autoridade Nacional Palestina.

Em outubro de 2004, ele ficou doente repentinamente e duas semanas depois, em estado gravíssimo, foi transferido para um hospital militar em Paris. Ele morreu poucas semanas depois, em 11 de novembro.

Na época, muitos palestinos acreditavam que Israel havia envenenado Arafat. Muitos argumentavam ainda que ele teria Aids ou câncer.

A França abriu, em agosto de 2012, um inquérito após especialistas suíços terem encontrados traços de polônio radiotivo em seus objetos pessoais.

O chefe da equipe palestina que investiga o caso, Tawfiq Tirawi, afirmou que seu relatório será divulgado no sábado.

Há poucos registros no mundo de mortes causadas por polônio. O caso mais famoso é o do ex-espião russo, Alexander Litvinenko, morto em Londres em 2006, após beber chá envenenado com a substância.

 

 

 

BBC Brasil

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