9 de outubro de 2013 - 10:12

Após cirurgia exitosa, Cristina passa bem

A cirurgia para a retirada de um coágulo na cabeça de Cristina Kirchner, na manhã desta terça-feira, durou quase duas horas e transcorreu sem complicações.

No início da tarde, o porta-voz da Presidência argentina, Alfredo Scoccimarro, apareceu na porta da Fundação Favaloro, em Buenos Aires, para anunciar que a cirurgia havia sido “satisfatória” e que a presidente já estava no quarto –o boletim médico dizia que Cristina se encontrava na Unidade de Terapia Intensiva.

“Ela está animada e mandou saudações a todos. Agradeceu à equipe médica e a todos que rezaram. Ela está de muito bom humor”, disse.

O boletim médico divulgado não informou como foi o procedimento cirúrgico.

Segundo médicos ouvidos pela Folha, a operação mais comum em casos de hematoma subdural é feita com alguns orifícios no crânio para drenar o sangue acumulado. Após esse tipo de intervenção, os pacientes costumam ficar de quatro a cinco dias hospitalizados. Depois disso, é recomendado repouso de entre 30 dias a 45 dias.

O coágulo na cabeça de Cristina surgiu por causa de um trauma que ela teria sofrido no dia 12 de agosto, mas que não se sabe como.

REZA E MÚSICA

Cerca de 200 militantes e apoiadores de Cristina se concentraram na entrada do hospital. Muitos cantavam hinos políticos e seguravam cartazes com mensagens como “Força, Cristina”.

Uma outra parte rezava pela recuperação da mandatária. Era o caso de Bárbara Fernández, 62, sentada em um banquinho com um terço na mão. Ela montou na calçada um altar com a imagem de Nossa Senhora de Luján.

“Vou rezar muitos rosários por Cristina. Ela vai ficar boa logo”, disse à Folha.

A seu lado, o casal Raúl García, 66, e Maria Savere, 60, da província de Chubut, levavam a mão no peito enquanto rezavam. “Deus cuida de quem olha para os pobres. E ela está fazendo com que os menos favorecidos tenham dignidade, trabalho. Cristina tem a pátria no coração”, disse a dona de casa Maria. “Antes, o FMI [Fundo Monetário Nacional] mandava nesse país. Ela mudou isso.”

A militante Ruth Vilta, 34, da organização Che Néstor, viajou de La Plata para a capital argentina com outras 30 pessoas. Ela estava “triste” com os comentários de que Cristina estaria usando a doença para ganhar votos na eleição legislativa do dia 27, na qual, de acordo com os prognósticos, o governo pode sofrer derrota.

“Não acredito que qualquer pessoa possa lucrar com uma doença”, afirmou Vilta.

O presidente do Uruguai, José Mujica, desejou uma pronta recuperação para a colega argentina. E disse que a América Latina “precisa de sua presença guerreira e militante”.

O Uruguai e a Argentina entraram em conflito mais uma vez, na semana passada, por causa da fábrica de celulose UPM, instalada às margens do rio Uruguai, fronteira entre os países.

INIMIGO NO HOSPITAL

À tarde, o apresentador Jorge Lanata, do programa “Periodismo para Todos”, do canal 13, foi internado no mesmo hospital de Cristina, por causa de uma crise de insuficiência renal.

Lanata é autor de uma série de reportagens denunciando casos de corrupção no governo Kirchner. No final do dia, o jornalista foi transferido para outra instituição.

DIAGNÓSTICO

Cristina foi diagnosticada no sábado com um hematoma subdural crônico (quando há acúmulo de sangue próximo à meninge dura-máter, que fica entre o crânio e o cérebro), consequência de uma queda que teria sofrido em 12 de agosto. A Presidência não informa como foi o acidente.

No domingo à noite, de repouso na residência oficial de Olivos, ela começou a sentir um formigamento no braço esquerdo. Os médicos verificaram que ela estava perdendo força nesse membro, um dos sintomas da compressão cerebral. Ontem, ela deu entrada no hospital Fundação Favaloro, em Buenos Aires.

O boletim médico informou que a proposta inicial de repouso de 30 dias foi alterada para a cirurgia, mas não deu detalhes.

“Essa é uma operação comum e de baixo risco, já que é em uma parte externa do cérebro. Normalmente dura cerca de uma hora e são feitos três ou quatro orifícios na calota craniana para drenar o sangue”, explica à Folha o neurocirurgião Santiago Gonzalez Abbati, da Universidade de Buenos Aires.

O pós-operatório tampouco é complicado, de acordo com o neurologista Ignacio Previgliano. “Como a cirurgia não mexe com o cérebro, a recuperação costuma ser rápida”, diz.

 

 

Folha de S. Paulo

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