4 de outubro de 2013 - 04:34

Mulher perseguida e morta perto do Capitólio sofria distúrbios mentais

WASHINGTON – A mulher morta quinta-feira pela polícia americana após uma perseguição perto do Capitólio sofria de doenças mentais e pensava que o presidente Barack Obama a perseguia, disseram fontes policiais e familiares nesta sexta-feira, 4. Na tarde de quinta-feira, Miriam Carey, 34 anos, teria furado uma barreira de segurança em frente à Casa Branca e sido perseguida pela Avenida Pensilvânia.

Idella Carey, a mãe de Miriam Carey disse que sua filha sofria de depressão pós-parto. “Há alguns meses ela ficou doente”, disse  Idella. “Ela estava deprimida e chegou a ser hospitalizada.  Não tinha histórico de violência.”

Miriam foi baleada ao lado de sua bebê de 1 ano em seu carro, ao lado do Congresso americano. A operação levou pânico ontem às ruas de Washington. A menina de um ano não teve ferimentos graves e foi colocada sob custódia.

Idella não sabia porque a filha, que morava em Connecticut, tinha ido a Washington. Ao sair de casa, disse que levaria a criança a um médico.

Investigadores disseram ter encontrado no apartamento de Miriam medicamentos para tratar de esquizofrenia e outros distúrbios mentais, afirmaram fontes da investigação, citadas pela CNN. O noivo de Miriam afirmou ter entrado em contato com a polícia em dezembro do ano passado dizendo temer pela vida da filha, na época com quatro meses, e disse que Miriam acreditava ter a casa vigiada.

O dentista Barry Weiss, da clínica dental onde Miriam trabalhava, contou à NBC que em 2012 ela trabalhava para ele e sofreu uma queda, que a deixou com uma lesão na cabeça.

A polícia de Washigton qualificou o episódio de queinta-feira como uma situação isolada e descartou a hipótese de terrorismo. O episódio durou poucos minutos, provocou pânico na Câmara e no Senado. Relatos iniciais de que havia ocorrido troca de tiros foram desmentidos pelas autoridades. A mulher estava desarmada e todos os disparos saíram de armas dos policiais.

Cathy Laner, chefe da polícia Metropolitana, descartou a possibilidade de que a mulher tenha atingido a barreira de segurança por acidente. Segundo ela, o esquema de segurança por “perímetros”, que protege o Parlamento americano, funcionou. “(Os policiais) fizeram o que tinha de ser feito.”

Pânico. Um vídeo feito pela TV Alhurra (veja abaixo) mostra o momento em que o carro da mulher foi cercado por policiais, nas proximidades do Congresso. Com armas em punho, eles apontam para os vidros e gritam. Em segundos, o carro dá marcha à ré, bate em um veículo da polícia parado atrás e sai em alta velocidade, sob tiros.

A perseguição continuou até que o carro sai do alcance da câmera. Laner afirmou que o vídeo capturou apenas uma pequena parte da perseguição, que durou menos de 10 minutos, das 14h12 às 14h20. De acordo com ela, tiros foram disparados em dois momentos, um dos quais capturado no vídeo.

Dezenas de pessoas que estavam em frente ao Congresso correram na direção contrária à da perseguição, obedecendo a ordens de policiais para se proteger. As portas do Capitólio foram trancadas e ninguém podia entrar ou sair do edifício. Jornalistas que estavam dentro do Congresso relataram momentos de caos e apreensão.

Policiais corriam com armas em punho pelos corredores e ordenavam aos funcionários que procurassem proteção. Por precaução, o acesso à Casa Branca também foi bloqueado e pessoas que estavam na frente do edifício foram retiradas do local. Os dois prédios estão entre as mais visitadas atrações turísticas da capital americana.

A perseguição acabou na esquina da Avenida Maryland e a rua 2 Noroeste, entre a sede do Capitólio e edifícios que abrigam os gabinetes dos senadores. A poucos metros, fica a Suprema Corte, que também foi fechada.

Todos os edifícios foram liberados em menos de uma hora. O episódio interrompeu o debate que ocorria dentro do Congresso sobre o fechamento do governo, que entrou em vigor na terça-feira em razão da não aprovação de um novo orçamento.

 

 

 

Estadão com AP

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