7 de agosto de 2013 - 10:55

Município não recebe ajuda e enfrenta dificuldade para atender depende de crack

Com pouco mais de 2,6 mil habitantes, localizada na chamada rota do tráfico e sem qualquer ajuda federal ou estadual, Andirá (PR) enfrenta problemas que são comuns em Municípios com o mesmo perfil. Gestores da prefeitura voltaram a entrar em contanto com oObservatório do Crack da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Desta vez, relataram os desafios da administração municipal para atender dependentes químicos.

Além dos casos de violência e de mortes com elevado grau de crueldade, Andirá tem visto o crescimento do uso de crack arruinar mulheres, adolescentes e crianças. Uma moradora da região, menor de idade, dada como desaparecida retornou ao Município, por meio de contato do Conselho Tutelar de Marilia (SP), trazendo consigo uma história pavorosa de abusos e uso de drogas.

A menina de apenas 15 anos, foi localizada em um hospital – no Município paulista – ao pedir ajuda aos profissionais de saúde. Enquanto recebia atendimento para uma perna quebrada, a menor relatou que havia sido sequestrada por traficantes, e estava em situação de escrava sexual. Abandonada pela família e dependente de crack, a adolescente foi levada como pagamento de dívida de droga.

Para onde encaminhar a menor e como atender a um caso tão grave foram alguns dos problemas mencionados pela Secretaria de Saúde do Município. A constatação que a prefeitura chegou foi de que os tratamentos disponíveis pelas políticas públicas do governo federal não são adequadas. Além disso, elas sequer chegam ao Município que não tem a quantidade populacional mínima para aderir aos programas.

Valter Campanato /ABrValter Campanato /ABrTratamento

A solução encontrada para o caso, de acordo com a Secretaria de Saúde, foi encaminhá-la a uma clínica particular. Porém, a prefeitura terá de arcar com o custo total do tratamento. Apesar de não estar nas dependências de Andirá, o Instituto Cleuza Canan deve receber a menina, nos próximos dias. Em entrevista a Agência de Notícias CNM, o presidente do centro de tratamento, Thiago Guimarães, disse que já tem uma equipe especializada aguardando a chegada da menor.

Por reconhecer a realidade de muitos Municípios brasileiros, Guimarães disse que o Instituto está investindo em uma nova frente para ajudar as prefeituras que não tem condições de atender os usuários de crack e outras drogas.

A partir do contexto mencionado acima, a Secretária de Saúde de Andirá questiona os efeitos e o acesso dos programas federais, em especial o voltado ao crack. Um dos direcionamentos do programa é que os Municípios menores façam convênios com os Municípios com mais de 50 mil habitantes para ter acesso aos equipamentos propostos pela política pública.

Ag. LAR/CNMAg. LAR/CNMPolítica pública

Esse modelo de política pública, sem considerar a realidade local e que exclui os Municípios pequenos é uma constante reclamação do presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Todos os anos, durante encontro com o governo federal e com representantes do Congresso Nacional, o líder municipalista já mostrou que não há como atender as demandas, se os recursos federais são condicionados a quantidade populacional e a existência de equipe.

Segundo Ziulkoski, no caso dos Municípios que conseguem obter os recursos para instalação de equipamentos de programas federais, eles assumem um grande problema que é a manutenção dessas políticas públicas. Como por exemplo, Ziulkoski cita os centros de atendimento a dependentes químicos. “Os Municípios até recebem os recursos financeiros para instalação, mas ficam com o rombo da manutenção e do pagamento da equipe de trabalho”.

 

 

Agência CNM

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