28 de julho de 2013 - 10:17

Em vigília, peregrinos transformam ruas de Copacabana em acampamento a céu aberto

jmj

Para acompanhar a vigília com o papa Francisco em Copacabana, na zona sul do Rio, e também não perder a missa na manhã de domingo (28) nas areias da praia, peregrinos montaram acampamentos nos calçadões da avenida Atlântica e nas ruas adjacentes. Quem está hospedado em áreas mais distantes optou por dormir no chão duro a perder a celebração de domingo.

O gigantesco camping começou pela areia da praia mais famosa da cidade. No início da noite, havia tanta gente em sacos de dormir que não era possível ver a areia em vários trechos de Copacabana. A ocupação prosseguiu pelo calçadão, depois se estendeu à faixa de pedestre entre as duas avenidas. No final da noite, toda a calçada junto aos prédios da Atlântica também tinha virado abrigo para os peregrinos.

Como não havia espaço suficiente, muitos montaram acampamento nas ruas adjacentes. Da Santa Clara até a Paula Freitas, todas as ruas estavam tomadas por peregrinos. A praça Serzedelo Correa, entre as ruas Hilário de Gouveia e Siqueira Campos, foi transformada em hotel a céu aberto.

A empolgação de estar “no meio da galera” parece ser o melhor motivo para aguentar a noite fria na rua. Hospedados em Santa Cruz, zona oeste do Rio, o grupo de jovens peregrinos de Francisco Alves (PR) montou acampamento em frente à praça do Lido, na altura do posto 2, na avenida Atlântica. “De onde estamos leva quase o dia inteiro para chegar aqui, então vamos ficar”, disse o adolescente Ezequiel Calves Zolim, 16. A irmã do jovem, Susana Calves Zolim, 15, disse que o grupo resolveu passar a noite em Copacabana. “É para sentir o clima, ter essa experiência”.

  • Carolina Farias/UOL
  • Da esquerda para direita, Emanuelle Fernanda de Souza Mantovani, Ezequiel Calves Zolim, Maiara Manduca e Susana Calves Zolim, de Francisco Alves (PR)

Eles estão com jovens da cidade e também acompanhados dos pais. Como estrutura, têm barracas, colchonetes, sacos de dormir. “Não dá para dormir porque têm roubos. Agora há pouco passaram aqui com e levaram celulares de nossos amigos”, disse Emanuelle Fernandes de Souza Mantovani, 15. Quando questionados se está valendo a pena, todos são unânimes. “Ah, não tem explicação, aqui estamos mais perto das orações do papa”, disse Mariana Manduca, 18.

Veteranos em Jornadas Mundiais da Juventude, os estudantes de Brasília Danilo Lucas dos Santos, 26, e Tiago Costa Borges, 30, já estiveram nas jornadas de Madri (2009) e Sidney (2008). Eles têm alguns truques para acompanhar a vigília e também ter conforto para dormir, mesmo na calçada.

“Na terceira jornada já sabemos os macetes. Trouxe uma boia, um colchão de piscina, que é mais leve. Não é tão confortável, mas pelo menos não é no chão direto”, explicou Danilo.

Para ouvir as orações, Tiago sintonizou uma rádio e a ouvia no celular. “Aqui está longe do som, não dá para se concentrar. Perde-se um pouco das orações, mas é muito bonito ver tanta gente”, disse o jovem. Eles resolveram acampar para estar junto de todos os peregrinos que se aglomeravam em Copacabana.

  • Carolina Farias/UOL
  • Danilo Lucas dos Santos e Tiago Costa Borges, de Brasília

A dupla chegou tarde em Copacabana, por volta das 18h30, depois de peregrinarem desde o bairro da Glória, metade do caminho de todo percurso, que foi de 9,5 km. Por isso, não conseguiram chegar na areia. “Eramos em mais de cem, o ritmo é outro”, disse Danilo. Eles estavam preocupados com a distância dos banheiros e reclamaram de alguns pontos relacionados à estrutura, comparados às outras jornadas. “Faz falta mais banheiros, telões. Em Sidney, tínhamos ônibus até a porta [do lugar da vigília]”, disseram. “Mas, o espírito é o mesmo das outras jornadas”.

Para não perder o começo da missa de domingo, a dupla Euilis Roberto Capetini, 18, e Rafael Coelho Cassimiro, 18, de Cariacica (ES), também resolveu montar acampamento na calçada de Copacabana. “Nosso alojamento é muito longe, em Campo Grande [zona oeste do Rio] e não queremos perder amanhã. Além da experiência diferente, né?”, disse Rafael. Euilis disse que já dormiu na rua uma vez com os amigos “de farra”, mas ali era “sério, diferente”.

  • Carolina Farias/UOL
  • Euilis Roberto Capetini e Rafael Coelho Cassimiro, de Cariacica (ES)

Sem barracas, eles trouxeram sacos de dormir, cobertores e roupas. Para se trocarem no domingo vão improvisar. “Trouxemos toalhas, a gente se enrola e troca de roupa”. Sobre dormir, eles afirmaram que “vai ser impossível.”

Na ciclofaixa

A ciclofaixa da praia de Copacabana, na avenida Atlântica, também tornou-se abrigo para os peregrinos que participam da vigília. Os fiéis improvisam barracas de camping, tendas, sacos de dormir, colchões infláveis e até mesmo papelão no chão para pernoitar no local.

Outros grupos de peregrinos também fixaram acampamento no canteiro central da avenida e na calçada das edificações. Há, inclusive, católicos fazendo vigília ao lado de dois prostíbulos situados na região da praça do Lido. Os mais empolgados se reúnem ao longo da via, cantando músicas religiosas e se improvisando coreografias.

Na avenida Nossa Senhora de Copacabana, peregrinos estrangeiros chamam atenção de quem passa pelo local com manifestações típicas de seus respectivos países. Um jovem irlandês, por exemplo, divertia-se tocando gaita de fole. “A Jornada Mundial da Juventude não é só a visita do papa. O intercâmbio social e a fé são os valores mais importantes”, disse.

  • Hanrrikson de Andrade/UOL
  • Peregrinos brasileiros e estrangeiros pernoitam ao lado de uma conhecida área de prostituição de Copacabana

 

 

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