28 de julho de 2013 - 09:46

Confrontos entre manifestantes deixam dois mortos no Egito

CAIRO – Protestos violentos se espalharam nesta sexta-feira, 26, pelo Egito, depois de a Justiça ter indiciado o presidente deposto do país, Mohamed Morsi, e de o chefe do Exército, Abdul Fatah al-Sisi, ter pedido aos partidários do golpe “um mandato” para pôr fim ao “terrorismo e à violência no país”. Ao menos duas pessoas morreram e 33 ficaram feridas, segundo autoridades médicas.

As mortes ocorreram em Alexandria, onde partidários da Irmandade Muçulmana, grupo político de Morsi, e partidários do golpe se enfrentaram perto da maior mesquita da cidade. A polícia dispersou o protesto com bombas de gás.

Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde Khaled al-Khatib, 10 pessoas ficaram feriras em brigas no bairro de Shubra, no norte do Cairo e 8 em Damieta. Houve choques também no bairro de Ramsés Os dois grupos rivais trocaram acusações sobre o uso de armas de fogo nos confrontos em Alexandria.

Milhares de pessoas protestaram em várias cidades egípcias, saudando a promessa das Forças Armadas de enfrentar semanas de violência provocadas pela derrubada de Morsi, em 3 de julho. Partidários do presidente deposto fizeram manifestações para exigir sua restauração como presidente, ignorando a ameaça de uma repressão iminente e prometendo não ceder a uma exigência do Exército para dar fim imediato a seus protestos.

Condenação. Um tribunal egípcio condenou Morsi a 15 dias de prisão temporária e o indiciou por homicídio, sequestro e espionagem. As acusações foram feitas com base na fuga de Morsi da prisão de Wadi Natroun, no Cairo, durante a rebelião que derrubou a ditadura militar de Hosni Mubarak em 2011. Morsi e outros 30 líderes da Irmandade ficaram detidos por dois dias, mas conseguiram escapar.

A versão deles é a de que guardas que não se identificaram colaboraram com a fuga. A Justiça egípcia, no entanto, considera que Morsi e os outros protagonizaram uma rebelião e os acusa de contar com a colaboração do grupo palestino Hamas – que tem estreitos laços com a Irmandade – para sequestrar e matar os guardas.

O grupo palestino negou ter colaborado com a libertação de Morsi e pediu que a Justiça egípcia exiba provas. “É um ponto negro na história de quem tomou a decisão”, declarou o porta-voz do grupo, Salah al Bardawil.

Os islamistas dizem que o indiciamento tem motivação política. “No fim do dia, sabemos que todas essas acusações nada mais são do que a fantasia de alguns poucos generais do Exército e de uma ditadura militar”, disse o porta-voz da Irmandade, Gehad El-Haddad. “Vamos continuar nossos protestos nas ruas.”

Milhares de homens, mulheres e crianças se uniram aos simpatizantes da Irmandade na vigília no nordeste do Cairo. “Nosso sangue e nossas almas para o Islã!”, gritava a multidão, sem mostrar sinais de que vá recuar.

 

 

Estadão com NYT, AP, REUTERS E EFE

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