1 de julho de 2013 - 08:31

Espionagem dos EUA pode ruir acordo com União Europeia

Se a mensagem não foi explícita, o recado do presidente da França, François Hollande, não poderia ter sido mais claro: ou o governo dos Estados Unidos para de bisbilhotar a União Europeia ou o sonhado acordo de livre-comércio acaba antes mesmo de se tornar realidade.

Matéria da revista alemã Der Spiegel de sábado jogou no ventilador que a espionagem do serviço secreto dos Estados Unidos vai bem além de caçar terroristas. A reportagem acusa Washington não só de grampear ligações dos líderes europeus, mas também de vasculhar e-mails e documentos gravados em computadores. Até escutas teriam sido instaladas em salas de reuniões.

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Hollande e Obama. Sem confiança, sem livre-comércio

“Pedimos que isso acabe imediatamente”, avisou Hollande nesta segunda-feira, 1, à agência Dow Jones. “Não poderá haver negociações ou transações em qualquer área sem que tenhamos essas garantias.”

Apenas a Alemanha, por exemplo, tem mais de 500 mil telefonemas grampeados pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos – garante a Der Spiegel.

O embaixador americano em Berlim foi convocado pelo governo da Alemanha a dar explicações. Agências internacionais ventilam uma iminente conversa entre a chanceler Angela Merkel e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para tentar resolver o impasse diplomático.

Há dez anos, Estados Unidos e União Europeia vêm perdendo rapidamente a hegemonia. E num momento em que o primeiro somente ensaia uma recuperação e o segundo somente patina, um acordo bilateral seria fundamental para retomarem a força e as rédeas da economia mundial.

Em 2003, juntos, ambos respondiam por 60% da produção de bens e serviços do globo. Enquanto isso, emergentes eram responsáveis por apenas 20% do total. Caso sejam confirmadas as projeções do FMI para este ano, o quadro estará radicalmente mudado: Estados Unidos e União Europeia passarão a representar 45% das riquezas mundiais e, na bota deles, países em desenvolvimento terão em mãos 39% do PIB mundial.

Daqui a cinco anos, em 2017, mantidas as mesmas projeções – e se a atuação desastrada da política externa dos Estados Unidos não ajudar – esse jogo estará enfim equilibrado. Estados Unidos e União Europeia terão 47% da produção do mundo, mesma fatia dos países hoje emergentes.

Caso Snowden. A megaespionagem realizada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos estourou pela primeira vez no diário britânico Guardian, no início de junho. Foi o administrador de sistemas americano Edward Snowden quem dedurou o programa da Casa Branca, cuja função seria rastrear toda e qualquer troca de informações que julgasse de seu interesse. A intenção alegada é proteger o território dos Estados Unidos.

Snowden teve prisão decretada. Mas conseguiu fugir para a Rússia, onde pediu asilo político nesta segunda-feira.

 

 

Estadão

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